Uma Conversa Sobre Espiritualidade Com Marlene de Melo, Terapeuta de Numerologia

A espiritualidade é um conceito com espaço para muitas perspetivas. Se pensarmos nela como um meio para nos conectarmos com algo maior e encontrarmos o sentido da vida, entendemos que se trata de uma experiência humana universal. A numerologia, por sua vez, carrega a essência espiritual dos números e da sua influência na vida humana. Mas como funciona esta ferramenta? Como será que nos pode ajudar a aprofundar o nosso autoconhecimento? Conversámos com Marlene de Melo, a nossa terapeuta de numerologia, que nos explica a correlação entre todos estes conceitos e que nos dá dicas valiosas para alcançarmos o nosso propósito maior.

O que é, para ti, a espiritualidade?

Eu acredito que somos seres espirituais a viver na matéria. Não somos humanos – estamos humanos. Nós vivemos esta experiência no planeta Terra porque escolhemos esta casa, de forma que a nossa alma pudesse crescer e evoluir. O conceito de espiritualidade é, precisamente, essa ligação entre o divino e a matéria, entre o ser e o ter. Tudo aquilo que queremos ter, devemos ser. Ou seja, se eu quero mais amor, confiança e respeito, eu tenho de me amar, de confiar em mim e de me respeitar. Por vezes, não temos aquilo que queremos, mas sim aquilo somos. É tudo sobre ser para ter. Esta é a minha visão de espiritualidade, apoiada na prosperidade, na abundância e em toda esta experiência que vivemos enquanto estamos humanos.

Como defines a numerologia e onde é que ela entra no campo espiritual?

A numerologia é uma ciência milenar de autoconhecimento, que nos permite ter acesso à nossa personalidade – desde a camada mais geral até às camadas mais profundas da nossa essência – nomeadamente a informação acerca daquilo que a nossa alma quer que sejamos, do que ainda temos de aprender e como podemos tirar partido das nossas qualidades para estarmos alinhadas com o nosso propósito. A partir da numerologia, conseguimos entender qual é a nossa missão de vida e que heranças temos de vidas passadas, já que ela nos dá bases e perspetivas acerca de quem somos. Assim, se a espiritualidade é ser para ter, e se vivemos numa sociedade que está, cada vez mais, em piloto automático – em que as pessoas não se questionam acerca do que andam a fazer –, a numerologia chama-nos à Terra e pede que, em primeiro lugar, nos conheçamos e saibamos o que temos de trabalhar para chegarmos onde queremos. O objetivo é vivermos uma vida tranquila, feliz, alegre e com frequências mais elevadas. É um caminho de descoberta acerca do que somos e do que queremos, a fim de alcançarmos as nossas conquistas.

Que papel desempenham os números na nossa vida? Existem números sagrados?

Cada pessoa tem um conjunto de números no seu mapa numerológico, que conseguimos ler através do seu nome completo e da sua data de nascimento. Este mapa apresenta vários números que se unem numa combinação única do ser que representamos. Isto dá-nos, então, a certeza de que somos verdadeiramente individuais e de que temos um brilho único para colocar no mundo. A magia é a não existência de comparação, porque se temos uma essência única podemos ter a fé de que existe espaço nós.

Existe o mito de que os números mestres – 11, 22, 33 e todos os que se repetem até ao 99 – são considerados especiais. Porém, estes números não são nem especiais, nem sagrados. Todos os números são únicos e mágicos. Não existem números melhores do que outros. Os números considerados mestres assumem essa adjetivação porque têm uma energia repetida (proveniente do número que se repete), daí serem considerados mais especiais do que outros. Tal como não existem pessoas mais especiais do que outras, também não existem números mais importantes do que outros.

O que significa quando um determinado número ou conjunto de números começa a aparecer no nosso dia a dia?

É frequente as pessoas acreditarem que, por verem um número repetido ou horas iguais, há uma mensagem concreta que está a ser transmitida. Obviamente que podemos colocar a mensagem dos números associada a essa interpretação, se formos entendidas em numerologia. Contudo, aquilo que está acessível a qualquer pessoa que esteja atenta aos sinais é a mensagem de que está no caminho certo. Nessas alturas, devemos olhar para dentro, conectarmo-nos com a nossa intuição, ver que respostas é que o nosso coração nos está a dar e o que é que a nossa alma nos está a pedir. Devemos estar atentas aos insights que ocorrem quando vemos esses sinais, pois quanto mais atenção prestarmos à repetição numérica, mais eles vão aparecendo. Além disso, num momento de incerteza, podemos também solicitar que esses sinais apareçam. Isto porque, no Cosmos, existe o livre-arbítrio. O Universo não nos pode ajudar se não pedirmos ajuda. Como tal, dando essa abertura e fazendo esse pedido, ele pode atuar muito facilmente nas nossas vidas – sempre a nosso favor e nunca contra nós.

É possível que estejamos a viver num Universo inteiramente codificado por números?

Já está mais do que comprovado que tudo é energia – nós somos energia. Tudo o que se passa à nossa volta é energia sob diversas formas, sendo que uma energia emite sempre uma frequência. Cada frequência está associada a uma escala, e uma escala é sempre numérica. Portanto, podemos dizer que também somos todos codificados por diversos números que vão ao encontro da nossa frequência. A partir do momento em que a energia passa a ganhar forma e os nossos sonhos se materializam, as frequências passam a ser mais altas: alegria, gratidão, felicidade. Se estivermos a vibrar em pensamentos negativos, em culpa, em vitimização, em ansiedade ou em stress, todo o nosso campo vibracional sai lesado, bloqueando o nosso potencial e a nossa capacidade de transportar os nossos desejos para o plano material.

Acreditas que temos o poder de manifestar a vida que desejamos com a ajuda da numerologia?

Acredito que sim. Vivemos num Universo com infinitas possibilidades. É importante que saibamos reconhecer que aquilo que passamos para o plano material deve ir ao encontro dos nossos pensamentos, daquilo que sentimos e do nosso comportamento. Se tudo isto estiver alinhado, conseguimos manifestar a vida que desejamos. O que acontece é que, aquilo de que temos consciência, comanda 5% daquilo que manifestamos – a restante percentagem, 95%, é comandada pela nossa mente inconsciente. Ora, com a numerologia, passamos a ter acesso aos nossos desafios, que são obstáculos não superados em vidas anteriores e aos quais devemos dar maior atenção, bem como às nossas heranças kármicas, padrões que trazemos de vidas passadas, que podem estar a manifestar-se na nossa vida de forma inconsciente. Tendo acesso a toda esta informação, compreendemos aquilo que é o nosso karma acumulado, entendendo tudo o que foi amontoado no passado. Esta tomada de consciência permite-nos trabalhar esse karma e ter acesso a coisas que, no dia a dia, não estariam tão visíveis. Ao aprofundarmos este autoconhecimento, conseguimos manifestar a vida que desejamos. Se, por outro lado, vivermos de forma alienada, acabamos por gastar mais tempo a reclamar e a pensar no que não queremos. O poder de manifestação já está em nós, mas, por vezes, não sabemos como o utilizar. É aqui que entra a numerologia, para nos ajudar a olhar para nós a partir de outras perspetivas, contribuindo para a nossa evolução enquanto alma.

Que práticas de bem-estar recomendas?

Todas devemos ter uma lista de dez coisas prioritárias que nos fazem felizes. Nessa lista, em primeiro lugar, devemos estar nós. Se formos a nossa principal prioridade, podemos cuidar-nos e mimarmo-nos física e espiritualmente, já que temos outros «corpos» além do físico. Devemos cuidar do nosso corpo mental, uma vez que os pensamentos repetitivos, a ansiedade e o stress nos fazem perder a clareza necessária. É necessário que haja espaço para nos conectarmos com o aqui e o agora. Podemos meditar de várias formas: fazer um minuto de respiração consciente; ouvir uma meditação guiada e relaxar; acender uma vela e estarmos atentas à sua chama, sem pensar em mais nada. Meditar não significa não ter pensamentos, significa estar em atenção plena. Outra prática de bem-estar é o banho, que é uma excelente forma de meditar, visualizando a água a cair pelo corpo e a eliminar todas as tensões e preocupações – é por isso que costumamos ter grandes ideias no duche. Podemos, também, recorrer aos óleos essenciais, que são muito úteis para cuidar de nós e para nos ajudar a focar em várias áreas da nossa vida, apoiando o nosso ciclo menstrual, conectando-nos com a energia feminina e acalmando o nosso espírito. No que diz respeito ao nosso corpo emocional, podemos cuidar das nossas emoções praticando o Hoʻoponopono, uma prática havaiana que pressupõe a repetição continua do mantra “Eu sinto muito, perdoa-me, eu amo-te, sou grata”, até que consigamos sentir alterações positivas no que estamos a sentir. Os momentos de self-care são muito importantes, porque nós, mulheres, estamos muito habituadas a dar, mas também precisamos de receber.

O que devemos escolher – sempre – para sermos mais felizes?

Devemos entender que a felicidade não é o destino, mas sim o caminho e o progresso. Nós escolhemos nascer e cumprir a nossa missão, nomeadamente o nosso karma acumulado. Nascemos para aprender determinadas lições e para nos alinharmos com o nosso propósito e vivermos o nosso plano de vida com base no nosso livre-arbítrio. Assim, entendendo que estamos cá para aprender e ensinar, devemos escolher sermos responsáveis por tudo o que nos acontece. Tudo o que acontece na nossa vida, por pior que seja, é necessário. As pessoas e as situações são apenas personagens e histórias, que precisamos de observar para entender qual é a lição e a mensagem que nos querem passar. Devemos ser responsáveis por tudo, evitar comportamentos de vitimização, de culpa ou de medo, abraçando o Universo e acreditando que tudo o que se passa à nossa volta joga a nosso favor e nunca contra nós. Aquilo que aceitamos, transformamos; aquilo a que resistimos, persiste, levando-nos a lugares escuros, que nos impedem de brilhar. Todos temos algo único para colocar no mundo e a nossa luz é, também ela, única. Devemos honrar a nossa essência e deixarmo-nos guiar pelo nosso guru – o coração! – para que ele nos leve a tomar decisões mais claras e conectadas com o caminho do amor e não do medo.


Marlene de Melo é terapeuta de numerologia, dedicando-se a ajudar pessoas a redescobrirem quem são, mostrando-lhes o seu potencial e o seu propósito de vida. O seu objetivo é fazer com que as suas pacientes aprendam a olhar para si com amor, de uma forma holística, cuidando não só do seu corpo, mas também da sua alma.


Acompanhe Marlene através das suas redes sociais:

Instagram: @marlene.holistica
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