«Maskne»: Como Combater a Acne Causada Pelo Uso de Máscara de Proteção?

Com o uso da máscara de proteção a fazer parte do nosso «novo normal», é provável que já tenha começado a sentir algumas mudanças na sua pele. Talvez os níveis crescentes de stress a que tem estado sujeita tenham resultado no aparecimento de problemas como a rosácea ou o eczema, ou talvez tenha passado por mudanças nos seus hábitos de sono que acabaram por lhe causar olheiras e inchaço. Qualquer que seja a resposta, não está sozinha.

Facto é que, desde que o mundo foi bloqueado pela primeira vez, no início deste ano, a condição de pele da maioria das pessoas alterou-se. Prefere que resumamos tudo numa só palavra? «Maskne». O termo resulta da junção das palavras «máscara» (mask, em inglês) com «acne» e tem vindo a tornar-se cada vez mais popular no consultório dos dermatologistas, já que o uso da máscara tem acentuado a acne existente em algumas pessoas e tem, por outro lado, espoletado o aparecimento do mesmo em quem, até então, nunca tinha passado por isso.

A Frederica conversou com a Dra. Helena Toda Brito, médica dermatologista, que nos explica tudo o que precisamos de saber para combater este problema. Continue a ler para ficar a par de todos os cuidados.

O que pode estar por trás do aparecimento da acne quando usamos máscara?

Segundo Helena Toda Brito, “a utilização de máscara por períodos prolongados pode estar associada ao aparecimento ou agravamento de acne em pessoas suscetíveis”.

De acordo com a especialista, existem duas grandes causas para esta situação. A primeiro compadece-se com “a alteração do microclima na área coberta pela máscara (devido à acumulação de calor e humidade provenientes da respiração, transpiração e saliva), que provoca um aumento da oleosidade da pele e desregula o microbioma cutâneo (também conhecido por flora cutânea, que é o conjunto de microrganismos que habita naturalmente a nossa pele), predispondo ao aparecimento/agravamento de acne”; a segunda, por outro lado, tem a ver com o atrito causado pela máscara: “A agressão mecânica da própria máscara (pressão, fricção, oclusão) e o contacto frequente com o tecido da mesma (que acumula oleosidade, transpiração, sujidade) favorecem a obstrução dos poros e o consequente aparecimento/agravamento de acne”, explica.

Como podemos prevenir esta situação?

A prevenção exige alguns cuidados fundamentais, tais como:

  • Limpar o rosto antes e após a utilização da máscara, usando água morna e um produto de limpeza suave, com pH neutro, hipoalergénico e sem perfume, que limpe a pele sem a agredir. “É fundamental evitar a higienização agressiva ou excessiva da pele, já que isso irá deixá-la seca, estimulando-a a produzir mais oleosidade de forma compensatória, agravando a acne”.
  • Hidratar a pele, aplicando um creme hidratante adequado (não esquecer que, mesmo as peles oleosas e com acne, têm necessidade de usar creme hidratante). “De modo a evitar o maskne, deve optar-se por um creme hidratante oil-free e não comedogénico (ou seja, que não provoque obstrução dos poros), que tenha uma composição simples, sem ingredientes potencialmente irritativos para a pele”.
  • Evitar usar maquilhagem na área coberta pela máscara, nomeadamente bases e corretores. “As pessoas que não possam (ou não queiram) abdicar da maquilhagem, devem optar por maquilhagem oil-free e não-comedogénica, utilizá-la durante o mínimo de tempo possível e desmaquilhar cuidadosamente na altura de a remover”, esclarece.
  • Usar uma máscara adequada. “No caso das máscaras comunitárias, deve optar-se por máscaras que tenham um tecido suave e respirável (como o algodão) na camada mais interna, que está em contacto direto com a pele. Além da escolha acertada do material, é importante garantir que a máscara se adapta correta e confortavelmente ao rosto, não só para garantir o seu efeito protetor, mas também para reduzir o risco de irritação cutânea (que pode ocorrer com uma máscara muito apertada ou que se mova demasiado sobre a pele), e consequente agravamento da acne”.
  • Substituir ou lavar frequentemente as máscaras. “A máscara deve ser substituída a cada quatro horas e sempre que ficar húmida ou danificada. Uma máscara húmida, além de ser menos eficaz, é também mais prejudicial para a pele. As máscaras reutilizáveis devem ser lavadas após cada utilização, para remover os microrganismos, oleosidade, células mortas, restos de maquilhagem e outro tipo de sujidade que se tenham acumulado durante a sua utilização”.

De acordo com a especialista, “pessoas com acne pré-existente devem manter os seus tratamentos habituais, exceto se tiverem indicação em contrário do seu dermatologista, de modo a minimizar o risco de agravamento da doença”.

É seguro continuarmos a usar maquilhagem?

Helena Toda Brito não recomenda o uso de maquilhagem nas zonas cobertas pela máscara: “Devemos evitar o uso de bases e de corretores. A área sob a máscara acumula humidade e calor, provocando alterações na superfície da pele, podendo causar um aumento da oleosidade e modificações no microbioma (duas condições que predispõem o agravamento de doenças como a acne e a rosácea). A maquilhagem só contribui para agravar este problema”, explica. No entanto, “a maquilhagem de olhos pode continuar a ser feita, desde que sejam reforçados os cuidados de higiene, evitando partilhar produtos de maquilhagem e lavando as mãos antes da aplicação da mesma”.

É POSSÍVEL MANTER A PELE SAUDÁVEL, MESMO USANDO MÁSCARA DIARIAMENTE?

Para conseguir manter uma pele saudável neste contexto, “é essencial redobrar os cuidados com a pele, de modo a compensar a agressão provocada pela máscara”.

Limpeza

A limpeza “deve ser feita antes e após a utilização da máscara, usando água morna (em vez de água quente, que remove excessivamente os óleos naturais da pele) e um produto de limpeza suave, com pH neutro, hipoalergénico e sem perfume, que limpe a pele sem a agredir”. Depois, “deve secar-se o rosto com uma toalha suave, sem esfregar”.

Sobre a utilização de esfoliantes, Helena Toda Brito diz-nos que “não é recomendada nesta altura, sobretudo nas peles mais sensíveis e nas áreas que estão em maior contacto com a máscara e, portanto, já sujeitas à agressão mecânica da mesma”.

Hidratação

É importante reforçar a hidratação da pele, “aplicando regularmente um creme hidratante com composição simples, sem substâncias potencialmente irritativas ou alergénicas (ex: perfumes, ingredientes despigmentantes e anti-idade), e preferencialmente não-comedogénico (que não provoque obstrução dos poros)”.

Nas zonas de maior fricção com a máscara (ex: dorso do nariz, maçãs do rosto), “é particularmente importante este reforço da hidratação, para reduzir o atrito entre a pele e a máscara”, reforça.

Proteção solar

Sempre que falamos em pele bonita e saudável “não podemos descurar a importância de aplicar protetor solar durante todo o ano, mesmo usando máscara, já que esta não cobre toda a face”. Mesmo nas zonas cobertas pela máscara, “a proteção oferecida contra a radiação solar não é suficiente”.

Evitar fatores adicionais de irritação da pele

“É importante poupar a pele de irritação adicional, evitando a realização de procedimentos agressivos para a pele, como peelings, esfoliações e limpezas de pele (salvo por indicação do médico dermatologista), que podem agravar o efeito irritativo do uso de máscara. Também deve ser evitada a utilização de maquilhagem na área coberta pela máscara, pelo potencial de irritar a pele e/ou obstruir os poros”.

Fazer períodos de pausa

Se possível e seguro, “é benéfico para a pele fazer períodos de pausa sem a máscara, pelo menos a cada quatro horas ao longo do dia”.

Usar uma máscara adequada

É fundamental “usar uma máscara adequada (no caso das máscaras comunitárias, optar por máscaras com um tecido respirável e pouco irritativo, como o algodão) e substituir ou lavá-la frequentemente”.

Em que situações devemos consultar um especialista?

Apesar da eficácia de todas estas precauções, pode afigurar-se necessário recorrer a ajuda médica especializada: “Se apesar dos cuidados referidos ocorrer aparecimento ou agravamento de algum problema de pele decorrente da utilização de máscara, deve procurar ajuda de um médico dermatologista, para confirmação do diagnóstico e tratamento adequado. Em algumas situações pode ser suficiente ajustar as rotinas de cuidados com a pele, enquanto noutras situações pode haver necessidade de realizar um tratamento médico”, conclui Helena Toda Brito.


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Helena Toda Brito é médica dermatologista, na clínica Beclinique e no Hospital Lusíadas, em Lisboa, tendo-se especializado em Dermatovenereologia pela O​rdem dos Médicos.

Acompanhe a sua página de Instagram: @helenatodabrito_dermatologista

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