O Impacto do Amor-Próprio e da Autoaceitação na Sua Vida

Cuidar de si, fisicamente, não se trata de uma falta de autoaceitação negativa. O querer cuidar de si não é sinónimo de não se amar ou de estar a repudiar profundamente todo o seu ser, devido a determinado pormenor físico que quer melhorar. Trata-se de amor-próprio e pode expressar, somente, que está a preservar o Universo físico que carrega em si as estrelas da sua alma. E isso é saudável e recomenda-se.

Certo é que, estando a nossa parte física intimamente ligada à nossa parte mental, emocional e visceral, é necessário cuidarmos do nosso exterior. Caso contrário, este templo, que carrega a vida que há em nós, irá deteriorar-se mais depressa. A maioria de nós não deseja que isso aconteça, certo?

O exterior está ligado ao interior. Assim como o cérebro agradece as respirações conscientes (fica mais oxigenado e o sistema nervoso equilibrado), também a pele agradece, por exemplo, o cuidado com o creme depois do banho (não fica tão desprotegida e torna-se mais forte) e a nossa autoestima agradece a cor do batom que lhe dá mais vida (a mente fica mais alegre).

Então, talvez a questão mais pertinente seja:Quando é que eu, ao cuidar de mim, não me estou a aceitar, mas de uma forma mais extremista ou negativa?”. A verdade é que existem opiniões diferentes sobre o assunto e, similarmente, muitas exceções à regra. Portanto, o que aqui vou mencionar é o mais vulgar, aquilo que acontece mais frequentemente e que conduz às ilações que aqui irei partilhar. Pode ser duro, mas, no fundo, a resposta é simples: quando eu tenho necessidade de mudar, quase taxativamente, grande parte das minhas características físicas naturais, ainda que não tenha uma deformidade (mas as veja como tal) e viva num estado de ansiedade constante, para manter o aspeto físico que eu acho que é o único que me pode salvar. É aí que, então, eu não me aceito, de todo, como sou ou estou. E isso é negativo, porque nos desequilibra e porque passa a ser um dos maiores focos na nossa vida, afastando-nos e tirando-nos a perceção daquilo que há de bom em nós, tal como aspetos maravilhosos que possamos ter a nível da nossa personalidade e inteligência, emocional ou cognitiva. Esta postura não permite que valorizemos a realidade que nos cerca, nem permite que nos amemos, fazendo com que não consigamos amar nada nem ninguém, de forma harmoniosa. Mais: podemos pôr a saúde em risco.

Não obstante, nada contra quem tudo mudou, ou muda, para se sentir melhor! São casos de sucesso aqueles em que acontecem mudanças físicas, até muitas vezes radicais, mas em que a pessoa não pôs a sua saúde física e mental em risco, passando a sentir-se bem e a viver melhor com ela mesma, conseguindo voltar a pôr o foco nos seus outros aspetos interiores, sendo mais vezes feliz do que triste. É caso para dizer: ainda bem que aconteceu!

Os motivos para preocupação surgem quando:

  • As alterações corporais (estéticas) que fazemos, ainda assim, não satisfazem a nossa alma e, por alguma razão, não satisfazem nunca;
  • Sentíamo-nos minimamente bem com a nossa imagem até percebermos que somos totalmente diferentes da Kardashian X e não conseguimos parar de fazer alterações até ficarmos «como ela»;
  • Não temos criatividade, nem uma situação económica que nos permita mudar, como desejávamos, muitos aspetos da nossa imagem e, por essa razão, não conseguimos ir à rua sem a companhia da depressão e da ansiedade;
  • Ainda que sem qualquer deformidade acentuada ou muito visível, não conseguimos ver algo bonito no nosso corpo.

Se neste momento estiver a identificar-se com uma ou mais situações acima descritas, podemos afirmar, seguramente, que a não-aceitação ganhou terreno na sua alma e está a tirar-lhe qualidade de vida. Contudo, não fique triste. Esta situação emocional pode reverter-se.

Sugestão: é urgente trabalhar a autoaceitação para que se possa «não-aceitar» Q.B.! Pode ler, na Frederica, o artigo: Amor-Próprio: Como me Amar e Respeitar o Resto da Minha Vida?. Acredite que pode ajudá-la bastante a dar os primeiros passos.

Lembro que vivemos num planeta cheio de diversidade, tanto de seres como de formas, texturas, cores, matérias e energias. E são estas diferenças que fazem com que vivamos como vivemos. Sem a terra, o ar, a água, o fogo e todos os outros elementos, nós não existiríamos como humanidade, porque se eles fossem iguais não se complementariam. Que seria do fogo se não houvesse o ar para originar a combustão? O mesmo aconteceria com a evolução do ser humano se não houvesse diferenças, físicas e mentais, entre as pessoas. Não havia evolução a nenhum nível.

A diferença faz parte da igualdade porque, como seres humanos, somos iguais. Porém, são muitos os padrões sociais, culturais e familiares que fazem com que repudiemos algumas dissemelhanças entre nós. E a verdade é que as mulheres têm sido, e ainda são, alvo desses padrões.

Assim, ao longo dos séculos, a mulher tem vindo a ser, sub-repticiamente, forçada não só a parecer-se com o modelo feminino padronizado, mas também a «estar bonita» e a «não envelhecer», para que possa continuar a «merecer» um bom lugar no pódio social e continuar a sentir-se mulher. Estas são algumas das razões que têm levado a que, especialmente a mulher, não aceite muito bem uma discrepância entre ela e outra que possa ser intitulada de mais bonita e não consiga reagir de forma sábia ao ver a primeira ruga e flacidez a implantarem-se no corpo. O que é uma reação sábia (e saudável)? Aqui fica um exemplo:

Situação: Ficar triste por causa da ruga, da flacidez ou celulite.

  • Aceitar que está triste e que não faz mal, porque é humano ficar assim quando algo nos desilude;
  • Procurar uma forma de diminuir essa imperfeição que lhe está a entristecer o coração, dentro das possibilidades económicas e limitações de saúde;
  • Atacar a «imperfeição» calmamente, sem permitir que isso se transforme numa obsessão;
  • Procurar, de imediato, algo na sua imagem corporal e estética que considere bonito, contemplar e agradecer;
  • Cada vez que voltar a pensar no novo «defeito», procurar uma memória positiva associada a esse pedaço de pele ou de cabelo, etc.

Os seus maiores «defeitos» até podem guardar memórias menos boas, mas de certeza que também guardam memórias de abraços, beijos, carinhos e outras situações de amor que nunca, mas mesmo nunca, irá esquecer. Lembre-se das histórias da sua vida que os seus pequenos defeitos contam, da sabedoria que já existe neles, e vá-se cuidando bem o melhor que puder, sempre, mas sem exagero, sem deixar de ver o resto de toda a beleza que há em si.



Vanda do Nascimento é terapeuta, formadora e instrutora de Mindfulness na Escola de Mindfulness Essencial, fundada por si em 2016. Começou, em 1997, a sua carreira como professora, ao licenciar-se em Educação. Nessa mesma data, também iniciou os seus estudos em Reiki, Meditação e Atenção Plena. Posteriormente, enveredou pelos caminhos da Psicologia e aprofundou, ainda mais, a temática do Mindfulness, de forma a continuar a sua luta no controlo do stress e da ansiedade.

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