Ser VS Parecer: o Facetune e a Eterna Busca Pela Perfeição

É absolutamente inegável que nos dias de hoje, mais do que nunca, somos bombardeadas com imagens de uma perfeição extrema. Podemos começar por mencionar o que vemos, dia após dia, no Instagram: influencers ou até mesmo o próprio comum mortal esforçam-se, fervorosamente, por revelar uma versão idealista de sim mesmos – das suas vidas e da sua imagem.

Segundo alguns psicólogos, a verdadeira perfeição está em estar presente: mas quem é perfecionista nunca está. É estando no momento que realmente podemos considerar e assumir que estamos vivos. O que é, afinal, este conceito de ser perfeita e de ter a imagem perfeita?

A perfeição sugere exatamente a ausência de defeitos, implicando a condição humanamente impossível de alcançar um nível de excelência utópico. A questão é que neste campo tudo é uma questão de perspetiva – e a perfeição tem várias.

Voltemo-nos, então, mais concretamente, para a questão da imagem. As aplicações para tornar as pessoas mais bonitas em fotografias são já uma espécie de espinha dorsal no que às redes sociais diz respeito. Esta valorização desmedida do belo (e falso…?) espelha precisamente a influência que esta era de aparências exerce sobre cada um de nós. É exatamente aqui que o Facetune – aplicação do momento que teoricamente torna as selfies mais bonitas, aperfeiçoando-as e eliminando “defeitos” – assume o papel principal. Será ele o “editor da selfie perfeita”? Ou o criador da mentira exemplar?

É hora de lançar questões: Até que ponto a nossa imagem virtual reflete quem verdadeiramente somos? Sim, podemos simplesmente querer eliminar uma borbulha destemida que decidiu habitar no meio da testa. Mas será honesto ultrapassar a linha entre eliminar algo que não faz parte de nós e modificar por completo o que corresponde ao nosso eu? O que faz parte do real, afinal?

Se existem culpas para atribuir, então que as atribuamos à sociedade onde estamos inseridos, que teima em impor padrões e que, praticamente, não tolera falhas.

Não se cobre tanto e faça o que a deixa mais confortável. A perfeição existe apenas na autenticidade, na oportunidade de sermos nós próprias. E que libertador que é podermos ser nós.

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