Estará o Fast Fashion Perto do Fim?

Nos últimos tempos, as gigantes de moda têm contribuído para um crescimento desmesurado do fast fashion, transformando o mercado e despertando em nós o desejo de comprar sempre mais e de adquirir vestuário do qual, na verdade, não precisamos. Estalar os dedos e ter o último grito da moda no guarda-roupa tem sido fácil e resultou até à data. Mas estará esta realidade a aproximar-se do fim?

Aparentemente, os padrões minimalistas e a compra com propósito estão a tomar as rédeas do consumo das novas gerações. A ética ambiental começa a ganhar forma a olhos vistos e a necessidade de afirmação de estilos únicos começa também a tomar proporções de outro nível. Ao que tudo indica, os princípios vintage estão elevar-se neste meio, onde usar uma carteira Chanel ou Vuitton que no passado foi tendência constitui um ato completamente intemporal e válido.

A crise no setor de varejo pode, de facto, não ser apenas uma fase. As propostas de criação de armários cápsula (que comprovam que conseguimos fazer coordenados distintos apenas com peças básicas), aliadas à evolução da preocupação com as questões ecológicas estão a contribuir, em larga medida, para esta mudança. Isto porque quando tentamos estudar um pouco daquilo que implica a produção de uma vasta gama de produtos de vestuário, mais penosa se torna uma determinada compra que, a priori, seria meramente um pequeno prazer. A indústria fashion impacta fortemente o sistema ecológico em que estamos inseridos — este é um dos ramos que mais água consome, sendo também responsável pela emissão de cerca de 8% dos gases de estufa anuais a nível mundial, entre muitos outros fatores — e tudo isto começa a pesar no hora de tomar decisões de consumo inteligentes.

De acordo com alguns estudos, é nas gerações mais jovens que a esperança para ações mais eco-friendly está depositada, uma vez que estas estão muito mais despertas para as causas ambientais que urgem uma maior preocupação (se a moda não se tornar mais consciente, o nosso futuro fica em risco).

Fazer uso da criatividade e preferir as compras em segunda mão são duas excelentes formas de cortar os gastos excessivos e de contribuir para uma moda mais sustentável. Comprar menos também.

Não precisamos de 20 camisas brancas  iguais. Precisamos, sim, de olhar pelo nosso futuro e de tomar decisões que zelem pelo mesmo. Reinventar o passado pode ser uma excelente forma de começar algo novo.

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