Ser Mãe: Escolha ou Obrigação?

É algo instituído na sociedade em que estamos inseridas: devemos formar-nos, arranjar o emprego perfeito, namorar, casar e ter filhos. É a ordem natural das fases da vida – espere, será mesmo? Será este o sonho de todas nós?

Somos levadas a pensar que a maternidade constitui um passo obrigatório nas nossas vidas. A ideia errónea de que esta é uma fase pela qual todas as mulheres têm de passar – seja de modo natural ou através da adoção – acaba por influenciar muitas de nós e por condicionar algumas escolhas. Ouvimos a pergunta “para quando um filho?”, mas nunca a suposição de “caso um dia tenha um filho…”. A que se deve tudo isto?

Em muitos casos, a mulher pode até querer ser mãe. Mas, então, e se nunca se apaixonar? E se a vida não proporcionar um conjunto de fatores que possibilitem essa circunstância? Deverá recorrer à inseminação artificial meramente para seguir os padrões pré-estabelecidos, ainda que no seu íntimo sinta que não nasceu para a maternidade?

A decisão de determinada mulher relativamente a esta questão, bem como a sua visão do assunto devem ser respeitadas de qualquer modo. A autodeterminação tem, efetivamente, um papel mais que importante. Porém, o respeito que esta questão merece não aparenta ser iminente. De um lado encontramos mulheres que encontram desaprovação caso manifestem ausência de vontade em ter um filho, do outro temos aquelas que cedem à pressão (sim, é esta a forma de como devemos apelidar este jogo de influencias, certo?).

Tem 33 anos e ainda não foi mãe? Então talvez a sociedade lhe diga que não é uma “mulher de verdade”. O estigma da velha-guarda, tal como todos os outros (aquele que se refere às mulheres que não sabem cozinhar, por exemplo) perpetua-se, neste círculo vicioso.

Outra ideia falaciosa com a qual nos deparamos é o facto de o mundo nos incutir a ideia de que a mulher deve escolher entre a maternidade e a carreira profissional. Como equacionar uma escolha de um calibre tão rasteiro no que à justiça diz respeito? Por que razão não podem coexistir ambas as escolhas na mesma vida?

É tempo de respeitar as decisões de quem nos rodeia e de respeitar o modo de como as outras pessoas lidam com a sua fertilidade e com o que desejam fazer com um corpo que é só delas. É importante reconhecer também o valor das mulheres que vão contra a corrente da sociedade e que sabem, por instinto, que não querem ser mães. É importante que comecemos a entender que é perfeitamente normal que muitas mulheres não pretendam dar o passo da maternidade e que não há nada de errado nelas: nem todas queremos ter filhos, e está tudo bem.

Ter um filho para agradar os outros e para ceder às normas sociais não é o caminho. Se, eventualmente, este for o seu caso, respire fundo. Aplique o seu amor de outro modo na sua vida. Faça a sua jornada, sem arrependimentos.

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