À Descoberta dos Encantos de Londres

Sair da estação de metro de Oxford Street nesta altura do ano é ainda mais difícil do que o normal. Os saldos começaram e a rua de compras mais famosa de Londres está apinhada de londrinos e de turistas que não querem deixar escapar os melhores descontos em lojas como a Zara, a Topshop, a Urban Outfitters ou a Forever 21. Pela rua circulam muitos shopaholics de saquinho amarelo ao ombro, o símbolo do icónico Selfridges. Aberto desde 1909 e recheado de marcas que vão da Chanel à Levi’s, o Selfridges é um dos maiores centros comerciais da cidade e visita obrigatória.

Perpendicular à Oxford Street, a Regent Street é a rua ideal para os amantes de lojas de luxo como a Longchamp ou a Burberry. Caminhando pela Regent Street, chegamos rapidamente a Picadilly Circus, com o seu ecrã gigante lembrando a nova iorquina Times Square. Aqui, os amantes de chocolate não podem deixar de visitar o M&Ms World e, do outro lado da rua, o Lego World recria, com as famosas pecinhas, alguns dos símbolos mais icónicos da cidade, fazendo as delícias de miúdos e graúdos.

Apesar de grande, Londres é uma cidade que se visita com relativa facilidade.

Ponto obrigatório é também Chinatown, onde, por momentos, sentimos que deixámos Londres e rumámos ao Oriente. Restaurantes chineses, supermercados com produtos típicos e centros de terapias alternativas são tudo o que vemos numa zona onde até as placas que indicam a rua são escritas com caracteres chineses.

Muito perto temos o Soho, a zona cool da cidade, onde não faltam lojas com fachadas coloridas e pubs que, ao fim do dia, se enchem de londrinos que, sentados lá dentro ou de pé na rua, desfrutam de um copo de vinho ou de uma caneca de cerveja enquanto conversam. O pub é também o local onde tem de provar fish and chips, o prato mais icónico da gastronomia britânica. No Soho, a famosa Carnaby Street é paragem obrigatória, bem como a visita a um dos muitos teatros para assistir a um espetáculo musical. O Soho é também rico em restaurantes. O Flat Iron é um dos preferidos para comer um bom bife e o The Breakfast Club, com a sua fachada amarela e decoração irreverente, mostra-nos que panquecas são o melhor da vida a qualquer refeição. Com uma curta caminhada por entre as ruas cheias de lojas típicas, chegamos a Covent Garden e ao seu clássico mercado. Ao redor, atuam vários artistas de rua, enquanto que lá dentro uma artista canta ópera fazendo a sua voz ecoar por todo o edifício.

Apesar de grande, Londres é uma cidade que se visita com relativa facilidade. Primeiro, seja de metro ou nos famosos autocarros vermelhos, é possível chegar a todo o lado. Depois, as zonas mais icónicas situam-se todas relativamente perto umas das outras, o que permite que se caminhe por toda a cidade. O Oyster Card permite o uso, tanto do metro como do autocarro. O cartão custa £5 e pode carregá-lo conforme o que precisar. Esta é a forma mais prática e barata de viajar pela cidade.

Londres não se vê num dia. Seriam precisas muitas mais palavras para descrever todas as atrações, restaurantes, lojas e vistas que esta cidade tem para oferecer.

Depois das compras, é hora de mergulhar na história de uma das cidades mais emblemáticas da Europa. No metro, viajamos pela Jubilee line até Green Park. Na carruagem, as pessoas vão embrenhadas nas suas leituras ou a jogar no telemóvel. Observadoras como somos, não conseguimos deixar de reparar em dois senhores vestidos de fato. Um deles traz umas meias azuis escuras com mini sereias, enquanto que o outro traz umas meias às riscas vermelhas e pretas. Em Londres é normal, não é a primeira vez que vemos homens a dar tudo no que a meias diz respeito. Pés à parte, sentimos que os londrinos são descontraídos na hora de escolher o que vestem ou, pelo menos, achamos que não se importam de arriscar e de ser irreverentes e extravagantes.

Chegámos a Green Park e percorremos o parque que nos leva ao Palácio de Buckingham, a residência oficial da Rainha. Perto, o St. James Park, a National Portrait Gallery e o número 10 da Downing Street são pontos de passagem obrigatórios. Rapidamente se chega a Westminster, onde à esquerda, o Big Ben surge alto e imponente, apesar de estar em obras neste momento (obras essas que deverão durar até 2022). Antes de rumarmos ao sul do rio Tamisa, não perdemos a oportunidade de visitar as Houses of Parliament, onde todas as decisões importantes são tomadas, e a Abadia de Westminster, onde casaram os Duques de Cambridge em 2011. A sul localiza-se a icónica roda gigante, a London Eye que, apesar de não ser uma atração barata e ter filas bem longas, vale bem a pena pela vista da cidade que proporciona.

Este não é um destino sazonal. Ao longo de todo o ano, existem sempre novidades e motivos para voltar uma e outra vez.

Também a sul do rio, o museu Tate Modern é ponto de paragem, quer seja apreciadora de arte ou não. Ilustrações e instalações saltam à vista nas altas paredes brancas e o décimo andar permite-nos, de forma gratuita, ter uma vista de 360º da cidade, onde conseguimos ver desde a Catedral de São Paulo ou os modernos arranha-céus de Liverpool Street ali tão perto, até ao arco do estádio de Wembley já bem longe. Esse é outro ponto positivo da capital britânica: a entrada na maioria dos museus é gratuita.

No fim de semana, rumámos ao Portobello Market, que é considerado «o mercado». Pela Portobello Road fora, de ambos os lados, bancas de comida, roupa, livros, malas e roupa vintage e velharias levam, todas as semanas, centenas, senão milhares, de pessoas àquela rua. Logo ao pé, as ruas de Notting Hill que, em 1999, serviram de cenário à história de amor entre Anna Scott (Julia Roberts) e William Thacker (Hugh Grant) no filme com o mesmo nome do bairro, são agora visitadas por turistas que não querem perder a oportunidade de tirar uma foto junto às muitas casas coloridas.

Londres não se vê num dia. Seriam precisas muitas mais palavras para descrever todas as atrações, restaurantes, lojas e vistas que esta cidade tem para oferecer. Mas podemos sugerir mais algumas: a icónica Tower Bridge, o Hyde Park para um passeio de bicicleta à volta do lago, o Palácio de Kensington e os famosos Kensington Gardens, o Museu de História Natural e, logo ao lado, o Museu Victoria & Albert ou o Museu de figuras de cera Madame Tussauds junto à estação de metro de Baker Street. Não podemos esquecer a British Library e a sua torre de livros e, do outro lado da rua, o St. Pancras Renaissance Hotel onde, há mais de 20 anos, as suas escadas foram o palco em que as Spice Girls filmaram o vídeo da canção Wannabe.

Quer a visita dure uma semana ou apenas dois dias, existem sempre formas de criar itinerários conforme o tempo disponível, o que se quer visitar e o budget. Londres não é um destino sazonal. Ao longo de todo o ano, existem sempre novidades e motivos para voltar uma e outra vez. Já dizia Samuel Johnson, um escritor inglês: “Quando um homem está cansado de Londres, ele está cansado da vida; há em Londres tudo o que a vida pode proporcionar.”

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