Vestiria o Seu Filho de Cor-de-Rosa?

Há já várias décadas que se aceita com alguma naturalidade que o azul é para meninos e o que o cor-de-rosa é para as meninas, se bem que esta tendência tem vindo a sofrer alterações nos últimos anos.

A associação do rosa às meninas e o azul aos meninos é relativamente recente, uma vez que apareceu somente a partir do século XX. Anteriormente a essa data não havia a possibilidade de se saber o sexo da criança antes de esta nascer, por isso mesmo a cor escolhida para o enxoval, quando havia a possibilidade de o fazer, era o branco. Só após o nascimento do bebé, e com a descoberta do sexo, é que se associavam cores e, ainda assim, não era bem como hoje em dia.

Sabia que o rosa era atribuído aos meninos, pois era uma cor próxima do vermelho, considerada a cor da força, e que o azul, por ser uma cor suave, era atribuído às meninas? Esta tendência não era apenas relativa às roupas das crianças, também se encontrava presente na arte sacra. A Virgem Maria era representada com um manto azul, a cor da harmonia, enquanto que Jesus era representado embrulhado num manto vermelho.

Esta tendência cromática inverteu-se por volta do início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, quando os marinheiros começaram a utilizar uniformes com jaquetas azuis, daí a expressão «azul marinho». Como o azul nesta época estava associado ao heroísmo, a tendência instalou-se por entre as populações e, por estar associada aos marinheiros, foi atribuída aos meninos.

Esta transição teve o seu auge em 1980, devido à evolução da ultrassonografia que possibilitou às futuras famílias saberem o sexo do bebé. Assim, várias lojas americanas, para aumentarem as vendas, aconselharam os pais a fazerem os enxovais dos bebés de acordo com o sexo. Como o azul já estava associado ao heroísmo e, consequentemente, aos meninos, desde a primeira metade do século, associou-se o rosa às meninas. Ou seja, um dos maiores preconceitos atualmente existentes na sociedade começou com uma estratégia de marketing. 

É verdade que existem muitos pais que optam por não saber o sexo do bebé para não se deixarem influenciar por escolhas de cor, mas quando a criança nasce, por vezes, torna-se inevitável. Por exemplo, há brinquedos, supostamente desenhados a pensar em meninas, que só estão disponíveis em rosa ou que, pelo contrário, quando são brinquedos ditos para meninos, só têm opção em azul. Esta falta de possibilidade de escolha faz com que aceitemos esta tendência de ânimo leve.

As crianças são atraídas por cores fortes, o que significa que vão escolher de acordo com um estimulo visual e não propriamente por meio de uma associação ao seu género. O mesmo acontece com os brinquedos. Um menino brincar com bonecas não tem rigorosamente nada a ver com a sua orientação sexual, até porque uma criança ainda não tem essa perceção. Há estudos que mostram que, por vezes, quando um menino escolhe uma boneca é devido às semelhanças que essa boneca tem com alguém com quem essa criança tem uma ligação.

Não são as crianças que se afeiçoam às cores de acordo com o seu sexo, mas começam sim a aceitá-las. As crianças imitam os comportamentos dos adultos. Sendo assim, se veem que os pais não usam rosa e associam essa mesma cor às mães, então vão imitar esse padrão comportamental. Ou seja, todos os padrões que as nossas crianças seguem, incluindo os comportamentos agressivos, partem de nós, pois estes comportamentos não são inatos.

As crianças assemelham-se um tanto a uma esponja. Absorvem tudo. É preciso ter muita atenção em relação ao que dizemos e fazemos perto de uma criança. Se tivermos comportamentos agressivos, o normal é a criança também desenvolver comportamentos agressivos.

O mundo infantil é fascinante e a verdade é que aprendemos muito com as crianças. Não existem seres mais puros que os nossos pequenos. Se o seu filho quiser brincar com uma Barbie não faça disso um bicho de sete cabeças, se a sua filha quiser brincar com carros aja naturalmente. Brinquedos são apenas isso mesmo, brinquedos. Não são estes objetos que definem as preferências sexuais de cada um.

A verdade é que cada mãe é boa mãe à sua maneira e ninguém a deve ensinar a sê-lo. A mãe e o pai da criança é que sabem as necessidades dos filhos e ninguém tem de opinar em relação a tal. Infelizmente, ainda que as mentalidades estejam lentamente a mudar, ainda existem pessoas que estipulam estereótipos desnecessários, o que nos leva a questionar a nossa liberdade. Sendo assim, crie uma criança forte e dê-lhe apoio em todas as suas convicções.

Vamos educar as nossas crianças a serem quem elas quiserem, a brincarem com o que quiserem e a usarem a cor que quiserem. Basicamente, é necessário educá-las de forma a que sejam seguras de si próprias o suficiente para saberem filtrar as críticas.

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