Aromaterapia: a Cura Pelo Nariz

Cinco milhões de células olfativas em cerca de dez centímetros quadrados – tudo isto está presente na câmara olfativa do seu nariz. Quantas lembranças guardará o seu olfato?

Bem sabemos que os cheiros detêm a capacidade inescapável de nos transportar para tempos e espaços que impactaram as experiências por nós vividas. Mas o valor e a importância do olfato está para além deste sentido mais emocional que lhe conferimos: em boa verdade, ele permite-nos equilibrar física, psicológica e emocionalmente.

O cheiro a terra molhada, o cheiro da maresia, o cheiro da cidade: todos estes são detentores de uma capacidade inquestionável de despertar em nós sensações que nos remetem para um determinado estado de espírito que pode mesmo ajudar o nosso corpo a curar-se.

Do ponto de vista da ciência, o nosso sistema olfativo apresenta características únicas que o distinguem dos demais sistemas sensoriais. É o facto de haver uma conexão entre variadas regiões do nosso cérebro que permite o envolvimento entre o cognitivo e o emocional no que a um cheiro diz respeito. Alguma vez pensou no porquê de nutrir sentimentos de predileção por alguns aromas e uma sensação de repulsa por outros? Tal poderá estar firmemente relacionado com a nossa tendência natural para evitar odores que sejam uma espécie de alerta para aquilo que constitui algo nocivo, mas também com a nossa capacidade de associar cheiros ao nosso livro de vivências. Nas palavras do osteopata Eduardo Carrão «muito do que definimos como aroma é memória afetiva».

Guardamos cheiros na nossa memória em conformidade com emoções e sentimentos do que vivemos. Por isso, cheiro e afeto são dois conceitos praticamente indissociáveis. Talvez seja esse o ponto central que espoleta o nascer da aromaterapia enquanto uma cura do corpo e da mente.

Integrada no leque das terapias holísticas, a aromaterapia é uma terapia complementar que se pauta pelo uso de óleos essenciais durante determinado espaço de tempo com o objetivo de tratar a nossa mente, o nosso lado emocional, físico e espiritual. Aos olhos desta terapia, que remonta à Antiguidade, somos olhadas como um todo e não como um ser que se divide. Assim, os óleos trabalham com a matéria-prima do nosso organismo e voltam a equilibrar o corpo integralmente, seja por meio da absorção pela pele, seja através de inalação. Com apenas um óleo conseguimos ativar um efeito sobre as nossas hormonas que conduz, precisamente, à nossa reestruturação.

Os óleos essenciais conducentes a esta cura de que lhe falamos são obtidos a partir de diferentes partes de uma planta em concreto (flor, folhas, frutos, casca, caule, etc.). É lá que encontramos as substâncias puramente orgânicas que caracterizam os aromas e que veiculam a sua ação terapêutica.

Se se sente cansada pode colocar num lenço oito gotas de rosmaninho e quatro gotas de eucalipto, por exemplo, e cheirá-lo frequentemente; se sofre de insónias pode colocar no seu difusor cinco gotas de lavanda, duas de laranja e duas de sândalo e difundir no quarto uma hora antes de ir dormir. Para as mais stressadas, por exemplo, o ideal será uma massagem com óleo de amêndoas doces, cedro, lavanda e erva-cidreira.

A par de toda a vertente mais espiritual e também mental inerente a esta terapia complementar, existe também a possibilidade de com ela cuidarmos da nossa pele e do nosso cabelo.

Em suma, a aromaterapia patenteia uma série de tratamentos complementares que, mesmo não substituindo cuidados médicos, nos pode ajudar a enfrentar determinadas patologias e outras questões do nosso dia a dia. Talvez a partir de agora possa… meter o nariz onde é chamada.

Fonte: Os Segredos da Aromaterapia, de Sandra Ramos
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