O Amor de Maria e Mariana

Maria e Mariana são um jovem casal que não se deixa levar pelo consumismo inerente ao Dia dos Namorados: preferem demonstrar o que sentem ao longo do ano. Para as duas, é desta forma que se cuida do amor.

Descubra a história de duas mulheres fantásticas, aqui, na Frederica. Leia, abaixo, a entrevista completa de Mariana.

De que modo encaram o Dia dos Namorados e como costumam celebrá-lo? Que planos têm para comemorá-lo neste ano?

Nunca gostei do dia dos namorados e nunca fiz questão de celebrá-lo. Acho que é apenas mais uma forma de apelar ao consumismo e permitir que as pessoas se desleixem o resto do ano. As verdadeiras demonstrações de amor estão nos pequenos gestos diários: no beijinho de boa noite, no café na cama, nos domingos no sofá ou até no simples ato de fazer uma tarefa doméstica para a outra pessoa descansar. Este ano vamos passá-lo como nos anteriores, em casa uma com a outra ou com amigas.

Existiu algum São Valentim que vos tenha marcado?

Os únicos São Valentim que me marcaram foram aqueles que passei com a minha mãe e íamos jantar fora juntas. Foi uma maneira de a fazer feliz.

Como nasceu a vossa história de amor?

Acho que temos uma história engraçada porque antes de começarmos a namorar não éramos desconhecidas, não aparecemos de surpresa na vida uma da outra apresentadas por um amigo em comum, nem nada do género. Já nos conhecíamos há cerca de seis anos e de um momento para outro (quando fiquei solteira mais precisamente) vi a Maria no Cais. Sempre lhe tinha achado uma certa piada mas nunca pensei que realmente fosse acontecer alguma coisa entre nós. Aliás, as nossas conversas nunca passaram do «olá, está tudo bem?». Portanto, na verdade não fazia ideia de como era a personalidade dela, apenas acompanhava as suas loucuras diárias no Instagram. Bem voltando a essa noite, quando a vi decidi dizer-lhe «olá» e falar um bocadinho com ela. Na verdade, estava solteira e gostava de a conhecer. Fast foward para o fim da noite, trocámos números e ficámos de combinar qualquer coisa. Passaram alguns dias, muitas trocas de mensagens e cafés marcados e desmarcados (parecia que nunca conseguíamos combinar nada). Até que chegou o Pride e estivémos finalmente juntas. Passámos a noite inteira a conversar, andamos de um lado para o outro sempre coladas e quando o arraial acabou fomos para outra festa. Foi aí que a Maria se encheu de coragem (e de bebidas também) e deu-me um beijo. No dia a seguir fomos beber café e nunca mais passámos um dia sem estarmos juntas. Entretanto já passaram três anos, temos uma casa, dois cães e vamos casar. Construímos um futuro juntas que não me poderia deixar mais feliz.

Numa sociedade que lucra com o amor, especialmente nesta época, gostam de fazer algo diferente ou seguem a vertente mais consumista inerente a esta altura do ano?

Como referi mais acima, penso que posso dizer pelas duas que não gostamos de celebrar o Dia dos Namorados. Optamos sempre por ficar em casa ou fazer qualquer coisa dentro da nossa rotina. Vivê-lo como um dia normal porque, na verdade, é isso que ele é.

Numa era em que tudo se esgota e em que tudo é efémero, como se consegue manter uma relação saudável e equilibrada?

Manter uma relação não é fácil. Manter uma relação saudável e equilibrada é ainda mais difícil. A paixão inicial, o que muitas pessoas designam por borboletas no estômago ou fase de lua de mel, é um sentimento que eventualmente desaparece. Depois desse momento inicial a relação só avança se a paixão der lugar ao amor. O amor exige muita coisa, é preciso ter paciência, fazer sacrifícios, dar sem exigir nem nada em troca e, acima de tudo, é preciso saber ouvir. Precisamos de confiar e dar liberdade e muitas vezes pode ser frustrante. Mas quando se ama alguém, quando se gosta a sério, vale a pena tudo isto porque a maior recompensa que podemos ter é receber amor de volta da pessoa que gostamos. É poder dormir todas as noites com essa pessoa, ter a possibilidade de partilhar gargalhadas, perspetivas de futuro, viagens, um abraço. Pelo amor vale tudo, sou uma romântica incurável. E por esse mesmo motivo é que sou uma cética em relação ao Dia dos Namorados.

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