Catarina Mira, a Jovem Que Encontrou o Amor no Tinder

Tem 26 anos e é uma jovem mulher cheia de sonhos e de talentos. Catarina Mira deu os seus primeiros passos na apresentação, tornou-se atriz e hoje em dia tem um blogue (Mira-me) onde nos brinda com a sua escrita e fotografia que nos inspiram. É natural do Algarve mas vive em Londres há mais de cinco anos: é lá que o seu coração pertence, não fosse esse o lugar que a levou até ao grande amor da sua vida, Martin Rose, de 33 anos, com quem está de casamento marcado.

A Frederica falou com Catarina acerca dos seus ideais e, principalmente, acerca da bonita história de amor que se encontra a viver. Leia a entrevista completa, abaixo.

A Catarina nasceu no Algarve, mais tarde mudou-se para Lisboa e, por fim, decidiu partir rumo a Londres. De onde vem a necessidade de se distanciar cada vez mais do sítio onde nasceu e cresceu? Foi difícil dar esses passos sozinha? O que a motivou?

Não é uma necessidade mas sim uma curiosidade. Na verdade, sair do sítio onde nasci só me fez valorizar mais ainda o paraíso de onde venho. Eu sempre fui muito impulsiva, então na minha adolescência mais ainda. Sempre pensei com o coração e não com a cabeça, fui atrás da minha curiosidade de conhecer o mundo e da vontade de concretizar os meus sonhos. Inicialmente mudei-me para Lisboa com apenas 16 anos porque comecei a apresentar o Disney Kids na SIC. Depois, segui rumo a Londres aos 21 porque, tendo já trabalhado na indústria de entretenimento em Portugal desde os 14, senti que seria interessante explorar outros universos e, pelo meio, ainda passei uma temporada em Los Angeles. Sinceramente, não guardo na memória como tendo sido um período difícil mas sim de muitas descobertas e de crescimento. Aliás, fui para Londres com uma audição marcada para entrar numa escola de representação e, mesmo sem saber se iria entrar, tinha toda a certeza que ia para ficar. Eu sempre trabalhei desde muito nova e acho que isso contribuiu para a minha atitude destemida em relação a esta mudança de país. Fui sem medo de pôr as mãos na massa, e assim foi: durante muito tempo tive aulas das nove às cinco e trabalhei como rececionista num restaurante das seis ao fecho.
Conheceu o seu namorado e futuro marido na aplicação Tinder. Por que razão começou a usar esta aplicação? Alguma vez pensou que poderia encontrar nela o homem da sua vida e estar de casamento marcado?
Usei essa aplicação porque muita gente a usa em Londres. Conhecer parceiros no Tinder não é a exceção mas sim quase que a regra na capital londrina. Raro é um homem abordar uma mulher num bar, ou mandar o empregado enviar-lhe uma bebida como acontece nos filmes. Londres tem mais de 11 milhões de habitantes e, apesar de ser uma selva de gente, é muitas vezes uma cidade onde é fácil uma pessoa sentir-se sozinha. Eu quando comecei a usar o Tinder foi mais por brincadeira, não tinha uma intenção específica na altura. Usei a aplicação durante uma noite apenas e foi nessa noite que fiz match com o Martin, o resto é história. No amor é mesmo assim, o universo faz a sua magia, seja através de uma aplicação, num bar ou através de amigos.
Inicialmente, via nesta aplicação uma oportunidade para conhecer a pessoa certa para ter ao seu lado ou simplesmente como um modo de conhecer outras pessoas? Tinha como objetivo encontrar o amor?
Sinceramente nem deambulei muito sobre o meu objetivo. No dia em que instalei a aplicação tinha-me ido encontrar com uma amiga e nessa ocasião ela apresentou-me o seu namorado que tinha conhecido através do Tinder. Eles, sabendo que eu estava solteira há um tempo, disseram-me em tom de gozo que deveria instalar a aplicação não fosse calhar-me a sorte grande também. Foi tudo muito descontraído, como vos digo o online dating está completamente normalizado em Londres.
Ao utilizarmos uma aplicação que, por vezes, mexe com o nosso lado mais sentimental, como se gerem as expetativas criadas em torno de determinada pessoa?
Eu não tinha expetativas nenhumas ao instalar o Tinder. Não o fiz com a missão de encontrar o amor da minha vida como aconteceu. Eu acho que aquele cliché que diz que se encontra o amor quando menos se espera faz todo o sentido. O amor chega quando estamos disponíveis, de coração aberto, resolvidas connosco mesmas. Portanto não vale a pena criar expetativas ou planear muito. Há coisas que estão fora do nosso controlo e o amor é uma delas.
Depois de ter encontrado o Martin, que lugar passou a ocupar o Tinder nas vossas vidas?
Eu nunca mais abri o Tinder depois de começar a trocar mensagens com o Martin. Mas o tema do Tinder continua sempre a vir ao de cima porque, especialmente em Portugal, as pessoas acham muito caricata a nossa história. Já dei várias entrevistas a desmistificar a ideia de que o Tinder é uma aplicação muito promíscua. No Tinder há de tudo, assim como na vida real. Portanto o tema “Tinder” continua muito presente cada vez que me refiro à nossa relação mas no entanto nunca mais recorremos ao mesmo desde que nos conhecemos.
Atualmente, a Catarina e o Martin encontram-se a viver uma relação à distância, uma vez que de momento se encontra em Portugal a realizar o seu projeto. Como se gere um desafio dessa envergadura de modo a que o relacionamento não saia prejudicado? Existe algum segredo por detrás da “arte” de manter uma relação à distância?
Escrevo as respostas a esta entrevista já a caminho do aeroporto de regresso a Londres (finalmente!). Desde agosto que andava a gravar a novela Valor da Vida, as gravações terminaram esta semana portanto vou voltar a tempo inteiro para a capital londrina. Eu e o Martin estamos muito seguros na nossa relação. Para ser honesta nunca fazemos muito face-time ou telefonemas. Não sei muito bem porquê, não faz parte da nossa dinâmica. Falamos todos os dias mas damos espaço um ao outro. É importante que, apesar de sermos uma unidade, nos sintamos concretizados a nível individual. O Martin festeja as minhas conquistas e liberta-me para que eu faça o meu caminho e isso, para mim, é amar.
Conhecer um namorado no Tinder não é algo muito comum e a verdade é que existe um estigma muito negativo em torno desta aplicação e das relações que nela se estabelecem. Qual a reação das pessoas sempre que lhes conta a sua história?
Como disse, a curiosidade é mais frequente em Portugal do que propriamente em Londres. Para mim o Tinder não tem um estigma nada negativo, há de tudo em todo o lado. Mesmo que eu tivesse recorrido à aplicação apenas para me divertir ou usufruir de relações mais casuais não vejo isso como motivo de censura. Estamos no século XXI, somos todos livres de vivermos as aventuras que quisermos e de explorar a nossa sexualidade.
De todas as áreas em que opera, qual aquela onde sente que existe mais preconceito por se ser mulher? Quais os aspetos onde sente mais dificuldade?
Não acho que preconceito seja a palavra certa, acho que há desvantagens socioeconómicas em ser mulher na maioria das áreas. As dificuldades às vezes nem são evidentes, mas cada vez mais estamos a aprender a descortiná-las e a apercebermo-nos do que está errado. A coisa que de momento me parece mais evidente é a pressão imposta às mulheres da nossa geração. As mulheres continuam a ser o elemento que acarreta a maioria das tarefas domésticas e familiares e, simultaneamente, é esperado que a mulher de hoje seja igualmente trabalhadora, independente, que tome conta de si, que seja uma mãe exemplar e que tenha uma vida social activa. Um estudo que li recentemente diz que a maioria das mulheres continua a trabalhar tanto em casa como se trabalhava em 1975, numa altura em que a maior parte delas não tinha uma vida profissional. Mas este assunto é muito complexo. A mudança não se faz do dia para a noite. Vale a pena salvaguardar que eu não ambiciono que as mulheres tenham mais poder do que os homens, eu adorava é que se acabasse com a noção de poder.
A Catarina tem um blogue que comprova, claramente, o seu talento para a escrita e fotografia. Com tantas mais-valias, onde se vê daqui a dez anos? Imagina-se a fazer o quê e com quem?
Não faço ideia. Mais uma vez eu não faço muitos planos, foco-me muito mais no processo do que no resultado. Felizmente tenho muitas paixões. Por isso, mesmo que uma coisa não resulte haverá sempre outras tantas em que poderei pegar. Eu gosto muito de literatura, por isso começo a pensar que gostaria de experimentar trabalhar em publishing. Também me tenho apercebido que, com a evolução das tecnologias, almejo cada vez mais o contacto e a proximidade humana. Por isso gostava de neste ano investir mais nisso, ter mais contacto com pessoas e uma posição mais ativa em causas sociais e políticas. E pelo meio continuar a representar, escrever guiões e transformá-los em filmes em conjunto com o Martin. Sabem que mais? Tenho muitas vezes como exemplo a mulher que criou esta plataforma, essa amiga que se reinventa e mete as mãos na massa como ninguém. Se eu for metade do que ela é daqui a dez anos dou-me por feliz.
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