Por Detrás da «Beleza Postiça»

Unhas postiças, pestanas falsas, silicone, lentes de contacto com cor, extensões de cabelo. Não há dúvida de que uma grande parte das mulheres se habituaram a fazer as unhas com bastante regularidade e outra grande parte delas também já se rendeu às pestanas postiças.

Ambicionamos ter umas unhas compridas e elegantes, umas pestanas longas que nos garantam um olhar sedutor (igual ao das irmãs Kardashian), uns seios maiores e que fiquem bem no decote dos nossos vestidos, um cabelo mais comprido do que aquele que temos. Nascemos simples mas caminhamos a passos largos para o «postiço», para o falso.
Aos poucos, com tudo aquilo que já existe à nossa volta, com todas as possibilidades de nos tornarmos (ainda que temporariamente) diferentes, tornamo-nos, em certa parte, naquilo que não somos.

Cada uma de nós é totalmente livre para decidir aquilo que usa mas, se pararmos para pensar, será que não deveríamos seguir o caminho de uma maior naturalidade?

Hoje, falamos em particular das unhas de gel, das pestanas artificiais e dos problemas que estas duas tendências nos podem trazer. Ouvimos frequentemente, quando vamos ao salão fazer as unhas: “na próxima semana devia descansar as unhas, deixá-las respirar sem verniz”. Apesar de isto parecer um martírio para as mulheres, as causas que estão por detrás da necessidade de parar uns dias com a aplicação são mais graves do que aquilo que se pode pensar. Uma investigação publicada pela revista científica JAMA Dermotology concluiu que é possível desenvolver tumores nas mãos devido à exposição aos raios UV das lâmpadas utilizadas nesta técnica de manicure.

Por outro lado, o facto de também já não nos contentarmos com várias camadas de máscara de pestanas e preferirmos uns grandes “pestanões” falsos, também nos pode causar vários problemas. Quando a aplicação de pestanas se torna um circulo vicioso, o peso das extensões pode causar tensão no folículo piloso da pestana natural e levar à sua queda sem novo crescimento.

De acordo com uma notícia da BBC, no Japão, uma em cada quatro mulheres sofre irritação depois de aplicar pestanas postiças. Os problemas causados podem ser de vários tipos, desde simples arranhões a verdadeiros buracos na córnea. Por outro lado, a cola usada durante a aplicação é formada por vários componentes químicos, o que também cria irritações e danifica as pestanas naturais.

Mulheres, as nossas pestanas têm o tamanho certo, as nossas unhas são lindas com uma simples camada de verniz natural, os nossos peitos ficam lindos naquele decote que tanto gostamos com um soutien mais almofadado. Somos lindas ao natural e é assim que eles (os homens!) gostam de nós! Sabia que a maioria das tendências que as mulheres amam os homens não gostam? As unhas e as pestanas falsas são duas delas!

Há várias formas de nos tornarmos um pouco diferentes sem prejudicarmos a nossa saúde. Vamos ser mais naturais e autênticas! Na verdade, às vezes o mais, significa menos, certo? Seja simples, e sinta-se bem!

10 Comentários
  1. Concordo com o que li no entanto relativamente ao peito, existe um vasto número de mulheres actualmente que sofrem imenso por ter um peito pequeno ou mesmo assimetrias mamarias. Muitas das vezes tomarem a decisão de procurar a cirurgia estética faz com que toda a vida delas mude e possam então ser mentalmente saudáveis , porque pessoas que têm baixa auto estima muitas vezes trazem consigo outros problemas psicológicos. Portanto muitas das vezes essas mulheres até aceitam como são mas tem a perfeita consciência de que se fossem diferentes, se colocassem implantes por exemplo seria uma lufada de ar fresco na sua auto estima e em toda a sua vida.Digo isto como psicóloga que sou e trabalhei ligado a cirurgia estética. Continuação de bom trabalho “ Frederica “

    1. Bom dia,
      Eu consigo perceber o lado da Vanessa. Cada vez mais vejo mulheres totalmente iguais! Isso acaba por ser aborrecido ate um certo ponto. Concordo que toda a gente e livre de fazer seja o que for mas por favor sejam proprias e nao tentem ser alguem que nao sao ou nunca viram a ser.

  2. Equipa Frederica,
    Ainda em relação ao meu comentário anterior, sei que não foi grande a referência a questão do peito, no entanto vocês que tem tanto destaque tem de ter sensibilidade face aquelas mulheres que já usam o soutien com almofadas mas que depois tem imensa dificuldade em se relacionar com o sexo oposto, devido ao estigma criado de que o corpo feminino pressupõe seios de determinado tamanho.
    Obrigada bom trabalho
    Não precisam de publicar era mesmo só para comunicar com vocês.

  3. Sem duvida que acho o texto super interessante devido às redes sociais e sociedade elevarem o nível de “perfeição” ao ponto de destruir pessoas e baixar a sua auto-estima. Acredito que temos que aceitar o nosso corpo tal e qual como é. No entanto, tenho a referir que sou apologista da cirurgia estética para aumentar a auto-estima (seja sexo feminino ou masculino) mas não de forma exagerada. No meu caso, estou a uma semana de fazer uma mamoplastia de aumento pois desde os meus 13 anos que sofri bullying na escola, as minhas colegas de turma tinham o seu peito a desenvolver e até à minha idade actual (27 anos), o meu peito não cresceu. Nunca gostei de me ver ao espelho, nunca consegui sentir bem com um decote e deixei de gostar de mim. Decidi apostar nesta cirurgia para me amar. Porque ao me amar, posso amar o próximo. E tenho que ter amor próprio e sentir confiante para poder viver o meu dia a dia de forma mais feliz e mais forte.
    Mas quero salientar que no resto, devemos deixar a naturalidade do nosso corpo sobresssair porque só aí encontramos a beleza.

  4. Bom dia equipa Frederica,
    Acompanho o site desde o seu início e gosto imenso das vossas publicações.
    Esta não é exceção, acho que está bem construída e permite quebrar o estigma da perfeição.
    No entanto, acho que o fim da publicação deveria ser repensado… Nós não nos devemos sentir/pôr bonitas porque os homens gostam ou deixam de o gostar, ou porque lhes agrada mais, ou porque lhes atrai mais, etc etc etc.
    Nós somos lindas quando nos sentimos bem connosco próprias, quando nos sentimos poderosas e capazes de enfrentar o mundo. Meninas, não sabem o poder que a autoestima vos dá, gostem de vós e queiram ser melhores por vós. Esse é o vosso superpoder, na verdade! Sejam felizes, com ou sem unhas, com ou sem pestanas, com ou sem peito, mas sejam felizes e sintam-se bem, POR VÓS! A companhia será um complemento…
    Um grande beijinho e votos de muitos sucesso para o site em 2019,
    Ana Rodrigues.

  5. Nem depropósito ainda hoje de manhã a ver uma youtuber que gosto imenso pensei: meu deus agora até os olhos são verdes? Sim só pensei, não tinha que comentar porque cada um sabe de si nem critico sequer, mas as pessoas estão a ficar todas iguais. Todas com a mesma cor, olhos iguais , narizes iguais, bocas iguais. quantas kardashians precisamos?
    Cada um faz de si o que quer mas as mulheres estão a tornar-se cada vez mais postiças.. mas, cada um sente-se bem como quiser, o importante é serem felizes..

  6. Este artigo deveria focar-se nos malefícios para a saúde que o uso de maquilhagens, pestanas falsas, etc, têm. Ao invés de se esquecer completamente que cada mulher (e homem) pode e deve aparentar-se como bem quiser, de modo a exprimir a sua liberdade de expressão e sem que isso signifique agradar a quem quer que seja, que não o/a próprio/a. “Sabia que a maioria das tendências que as mulheres amam os homens não gostam? As unhas e as pestanas falsas são duas delas!” Realmente as tendências que os homens gostam ou deixam de gostar não têm de ser, nunca, critério para o que quer que seja. O que importa é a convicção com que saímos à rua, o quão felizes estamos na nossa pele e, claro, tendo sempre em atenção a nossa saúde. Mas isso fica ao critério de cada um, também há quem fume, há de ser pior que as pestanas falsas.
    Pergunto também o que é que isso quer dizer, “ficar postiço”? – É o que a tecnologia nos permite. Graças à mesma também a equipa Frederica pode ter um blog. E relembro, já agora, que a maquilhagem já tem séculos de existência. A diferença é que antigamente só a alta aristocracia é que tinha acesso a tais luxos. Atualmente sem as hierarquias sociais dos séculos passados, e com a ascensão do capitalismo, é obvio que este tipo de produtos fica ao alcance da maioria e é por isso que mais pessoas usam. Antigamente usavam-se aqueles coletes para apertar a barriga que eram um perigo. Usavam-se, também, perucas pesadas que colocavam a coluna em esforço. Hoje, pelo menos, a maquilhagem vem “dermatologicamente testada”. Há a questão da experimentação em animais, mas esse é todo um outro debate diferente.
    Por fim, e porque não quero acabar e deixar a impressão que isto é uma crítica destrutiva e sim, antes pelo contrário, construtiva: não duvido da ótima intenção de quem escreveu este artigo e achei interessante até à parte em que metemos o que os homens gostam ou não gostam ao barulho. Mas considerei de grande importância fazer o comentário porque, realmente, esse tipo de mensagem subtil (o argumento relativamente ao que os homens não gostam) fomenta a chamada “cultura machista”. E é a partir da desconstrução deste tipo de afirmações por entidades que conseguem chegar a um alargado número de pessoas que se começam as mudanças. As leitoras lêem, consomem e se calhar ficam a achar que vão deixar de usar as pestanas porque afinal assim não conquistam nenhum homem, ao invés de tomar seja que decisão for por elas somente. Empoderar as mulheres passa por aceitar que a mulher é dona de si, das suas decisões, do seu corpo, da sua mente (tal como o homem de si próprio também toma as suas decisões). No fundo, estabelecer que a mulher é um individuo tal e qual como o homem. E, por favor, não se descura que tanto homem como mulher entrem em jogos de sedução (logicamente), simplesmente não é critério para o normal e regular funcionamento de uma vida.

  7. Eu faço o que eu quiser para me sentir bem com o MEU corpo, se não tenho as unhas naturais bonitas, se gosto de as ver arranjadas porque não?
    Porque os homens gostam menos?
    Quiseram apelar ao empowerment da mulher real e a sua beleza natural, dar uma de “femeninista” mas foi um falhanço total. A a beleza também está na liberdade de puder mudar aquilo que não gosto em mim e com o qual não nasci

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