Tantra: Sexualidade Para a Alma

Permita-nos adivinhar o panorama atual: está à espera de encontrar neste artigo palavras que assumam um carácter puramente lascivo e sexual, repleto de revelações surpreendentes, que se situam unicamente na estratosfera das emoções físicas… Desengane-se: o tantrismo alcança dimensões bem mais profundas do que aquilo que ao carnal diz respeito.

O Tantra – filosofia hindu milenar que olha para o corpo humano como um meio para atingir o conhecimento – concentra-se na criação da polaridade da sexualidade, enquanto estudo e prática que pressupõe uma técnica de intimidade espiritual por muitos considerada fascinante: mas também pouco compreendida.

A sua proposta é essencialmente a de nos conectarmos com os caminhos do corpo, da mente e da natureza. Sim, esta é a parte em que, efetivamente, percebe que o Tantra não se baseia, em concreto, numa técnica sexual, mas sim no núcleo da intimidade no seu todo – restabelecendo a tensão sexual. O foco deixa de ser o orgasmo e passa a ser tirar o máximo de partido do caminho até chegar até ele.

Debruçando-se (segundo o conhecimento clássico indiano) sobre a alimentação, a saúde, a higiene, a espiritualidade e, por fim, sobre a sexualidade, esta filosofia acaba por deter como princípio base um espólio de normas de vida que não se fazem apenas valer meramente do prazer dos sentidos, prometendo ir muito além de tudo isso: trata-se da possibilidade de alcançar o equilíbrio entre as energias espiritual e sexual do ser humano. Como? Equilibrando a energia masculina e feminina de cada um com a energia do seu par.

Confusa depois do último esclarecimento? Relaxe. A nossa exploração por caminhos filosóficos ocidentais ainda é uma criança. Em boa verdade, independentemente do nosso género, todos nós – homens e mulheres – temos energia feminina e masculina. O nosso lado mais empático e emocional encaixa na primeira; a nossa faceta mais direcional, virada para a ação, faz parte da segunda. Segundo vários estudiosos da matéria, à medida que os anos de vivências entre duas pessoas vão sucedendo, elas tornam-se mais iguais, acabando por se perder a “química”, entrando aqui as regras do Tantra, a fim de resgatar aquilo que antes as unia.

A busca dessa mesma união é feita através do relacionamento e da intimidade, considerando-se essa concretização um verdadeiro despertar, ou por outra, uma iluminação. Apenas uma pequena parte da tradição do tantrismo está ligada ao sexo, isto porque aquilo que aqui se revela elementar é o facto de nos permitirmos receber todos os sentimentos com a mesma aceitação e tornarmo-nos amplamente sensíveis ao que estamos a sentir (não só fisicamente) nos relacionamentos. O objetivo é que aconteça uma espécie de reformulação da relação no que a comportamentos e atitudes diz respeito, levando-nos a entender e a sentir os outros e as suas necessidades.

Segundo esta filosofia, a vida só assume um significado pleno quando nos libertamos da ignorância, do medo e do apego e decidimos reger-nos pelos padrões da natureza. Mas, afinal, onde entra o Tantra enquanto salvador da vida sexual dos casais? E a ideia de que este estilo de vida pode servir como uma espécie de paliativo, capaz de levantar qualquer relação que se tenha afundado na rotina? Na verdade, não é bem assim que este sistema funciona.

Nada funcionará se não se partir, numa primeira instância, para o autoconhecimento. Através dessa expansão e da meditação, sensibiliza-se o corpo e é essa redescoberta que, segundo especialistas na matéria, se reflete na vida sexual de um modo significativo, tratando disfunções sexuais, promovendo uma maior conexão entre os casais, ampliando o prazer e a sensibilidade com um significado renovado.

Aquilo que se conhece como sendo “sexo tântrico” é, então, bem mais do que algo meramente físico. Trata-se de uma ciência que possibilita a cura através do prazer consciente e da ativação da nossa energia sexual.

Falamos-lhe, essencialmente, de uma forma de estar na vida que amplifica o prazer e cuja renovação da vida sexual nada mais é do que um efeito reflexo – sem deixar de ser real – isto porque a sua principal finalidade é a de proporcionar autoconhecimento e um encontro “real” com a nossa própria essência. Uma vida mais feliz, com menos sofrimentos e menos influencias externas, que nos permitem amar e respeitar o próximo, longe do ego.

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