O Outro Lado de Ser Figura Pública

A maioria já sabe mas também se esquece facilmente. Por isso é bom lembrar que tudo tem dois lados. Este caso não é exceção. Muitos são aqueles que sonham vir a ser, um dia, famosos, seja pela notoriedade ganha através dos seus talentos ou por outra qualquer razão. E, às vezes, esse sonho transforma-se em realidade, trazendo benesses maravilhosas. Sim, ser famoso, ser figura pública é bom, traz vantagens das quais muitas vezes o mero cidadão comum não usufrui. Mas será tudo bom?

Passa a haver um «mar de gente» que os ama, que lhes oferece a Lua se puder, que reza por eles, que chora quando sabe que a sua vida teve um revés, enfim, uma multidão que acompanha, que não deixa o seu ídolo ficar só em momento algum.

E algumas figuras públicas merecem que tudo isso aconteça porque conseguem fazer história ao serem tão marcantes, tanto na sua profissão como ao ajudarem causas que se prolongam ao longo dos anos e que tocam o coração da humanidade. Outros conseguem mudar mentalidades ao assumirem, por exemplo, a homossexualidade, ou doenças graves, ou ao revolucionarem modas, padrões de beleza e cuidados de saúde, expondo-se sem medo.

Muitos são, de facto, não só conhecidos por serem bons cantores, ou excelentes atores, ou fantásticos políticos, ou criativos e inteligentes bloguers, etc., mas também por serem carismáticos e grandes veículos de mudança, de ajuda, de desmistificação de padrões da sociedade.

Porém, assim como o fim do dia traz a noite, a diminuição do calor traz o frio, a alegria só é conhecida e sentida porque existe a tristeza. Todas estas coisas não existem separadas. Fazem parte deste pack maravilhoso que é a vida. São uma só. Logo, tudo, mas mesmo tudo, tem um outro lado.

Como seres humanos que são, as figuras públicas, das menos às mais famosas, têm esse lado. E por vezes, não é assim tão agradável. Para além da pressão de quem os adora nem sempre ser saudável, o esforço que fazem para não perderem o estatuto adquirido tanto a nível profissional como a nível social e humano é tão grande que muitos acabam por entrar na tão similarmente famosa espiral descendente e sofrer de problemas de depressão e ansiedade.

Este outro lado da sua vida pode ser tão doloroso que, em alguns casos, é causador de horríveis desfechos como o suicídio.

Existem centenas de situações diferentes mas falemos das mais básicas: imagine o que seria se não conseguisse andar na rua sem evitar que alguém que não conhece falasse para si, pedisse autógrafos, fotografias, selfies, lhe dissesse piropos e muitas vezes: ofensas. Provavelmente tem dias em que só o facto de ir às compras e encontrar duas ou três pessoas conhecidas já lhe causa cansaço, quanto mais encontrar uma multidão que acha que tudo sabe sobre si e lhe exige explicações que não tem de dar, sorrisos que, nesse dia, não consegue exibir.

Sabe aqueles dias em que recebe várias mensagens da família e dos amigos e não tem tempo para responder a todos? Imagine, agora, que num só dia recebia entre mil a um milhão de mensagens, muitas com palavras carinhosas, mas outras tantas com ofensas, ameaças e/ou reclamações porque, por exemplo, não responde às centenas e/ou milhares de solicitações dos fãs?

Imagine, também, que as revistas/jornais que tanto falam de si e que ajudam a que continue a ter publicidade também são as mesmas que, de vez em quando, a deitam a baixo falando sobre aspetos da sua vida que nunca chegaram sequer a existir; que a descrevem como um ser que você sabe tão bem que não é; que afirmam que você fez algo que nem nunca lhe passou pela cabeça fazer? Ou que descobrem a tal verdade que devia ser só sua e a espalham por uma multidão que vai opinar e julgar?

A figura pública é um ser humano que também precisa de dormir, como nós, comer, descansar, chorar, rir, que fica doente, que tem família que a preocupa, que tem a sua personalidade, com qualidades e defeitos, que também tem desgostos, que faz luto, que tem os seus medos, as duas dúvidas, que tem dias que consegue tolerar as exigências da sociedade e dos seus fãs e outros dias nem por isso. A figura pública também precisa de estar só, de se ir (re)descobrindo como pessoa, de amar, de ser amada, de ter privacidade.

A figura pública também tem o mesmo tempo que nós, aquele tempo que nunca nos chega para nada, também precisa de ter paz e, principalmente, um pouco mais da nossa compreensão para nos poder continuar a dar o que quer que seja que tanto queremos dela.

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