Júlia Palha: “Enquanto Tiver Voz, Não me Vou Calar”

Com apenas 19 anos, já deu cartas no mundo da televisão: apresentando uma carreira de atriz em ascensão e começando agora a dar os primeiros passos na apresentação, Júlia van Zeller Palha é, assumidamente, a prova de que o talento tem um nome.

Apesar de muito nova, a mais recente apresentadora do programa Selfie, da TVI, demonstra ter um discurso já muito maduro. Leia a entrevista que a Frederica fez à atriz e saiba um pouco mais acerca de uma das jovens mais marcantes da nova geração, que leva a sua beleza mais além.

Ainda é bastante jovem mas já traz consigo um bom currículo. De todas as experiências que tem vindo a vivenciar, qual aquela onde realmente se vê no futuro?

É verdade, a vida apanhou-me a meio de uma maratona, fez-me entrar e ainda não me deixou parar. Trabalho desde que tenho 15 anos, projeto atrás de projeto, e já experimentei muita coisa na vida. Mas não tenho a menor dúvida de que o desafio diário de vestir uma pele que não a minha é o que me dá verdadeiro gozo. Quero ser atriz, já com 80 anos, e ouvir uma criança na rua dizer “Uau, esta senhora é atriz! E é das boas”.

Sendo que é mulher e tem a sua vida exposta a todo o tipo de opiniões, recentemente acabou por ser vítima de um desses ataques. Tendo em conta que estes comentários depreciativos são maioritariamente de mulheres, como lida com tudo isso? Qual a sua visão sobre o assunto?

Das características mais antigas do ser humano é a inveja. E a inveja é apenas a sementinha que planta todo o mal a que temos assistido nestas gerações. É triste que as pessoas precisem de rebaixar os outros para se sentirem melhor consigo mesmas. É triste que, por um segundo que seja, isso lhes dê uma leve sensação de prazer. É triste que ainda não tenhamos aprendido que juntos somos mais fortes. E no caso da mulheres, juntas seríamos tão mais fortes. Tenho dito muito isto ultimamente e volto a repetir: Vamos amar. Vamos admirar. Vamos elogiar, ou se não tivermos nada de bom para dizer, vamos pelo menos ficar calados.

Sente que por ser uma figura pública jovem tem o poder de mudar mentalidades e inspirar outras?

Quero ter esse poder. O ódio, nos dias que correm, está à distância de um clique. É tão fácil estar escondido atrás de um ecrã e teclar 4 ou 5 letras, sem ter a mínima das noções do peso que essas podem ter em quem as lê. “Feia”, “gorda”, “magra”, “porca”, entre tantas outras palavras, tão pequeninas e tão poderosas. Eu, pessoalmente, lido muito bem com as críticas porque me considero uma pessoa bastante confiante de mim mesma, mas há quem não o seja. E não há nada de errado em não o ser! Todos temos os nossos medos e inseguranças. E não cabe a quem está do outro lado de um ecrã subir a nossa auto-estima, mas também pelo contrário nada lhe dá o direito de a atirar ao chão. Enquanto tiver voz, não me vou calar com o que me parecer errado e não vou ter medo de fazer frente a quem me tentar fazer sentir pequenina. 

Se tivesse de escolher uma inspiração na sua vida quem seria? Por que motivo? 

A minha inspiração é e vai ser sempre a minha mãe. Foi ela que me “formatou”, a dedo, como sou. Decerto não é perfeita. E graças aos céus que não é. Tem a perfeição necessária, tem a cabeça e os valores no lugar, um coração do tamanho do mundo e uma inteligência acima da média. É a primeira a deixar-me sonhar alto e por isso não consigo admirar mais ninguém como a admiro a ela.

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