Pílula: Tomar ou não Tomar?

Pílula… o pequeno comprimido redondo que tanta controvérsia gera no mundo da saúde e na cabeça das mulheres. Responsável pela revolução sexual da década de 1960, a pílula surgiu com o objetivo de trazer mais liberdade à mulher e tornou-se o método contracetivo mais usado no universo feminino.

Depois de muitas fórmulas surgirem, com mais e menos hormonas, este continua a ser um tema que nem sempre gera concordância. A verdade que importa salientar é que, machismos à parte, quase todo o peso de evitar uma gravidez recai sobre a mulher. A maioria de nós, mesmo não se sentindo a 100% com o uso da pílula, recorre a ela devido ao medo e ao receio de engravidar.

A pílula é, hoje, o método contracetivo mais usado pelas mulheres, quer seja pela sua praticidade, quer seja pela sua eficácia. Cada comprimido contém na sua composição hormonas sintéticas, semelhantes aquelas que são produzidas pelos ovários das mulheres, estrogénio e progesterona, e que, quando tomada de forma correta, apresenta uma eficácia de 99%.

Ora, até aqui, tudo parece ser um conjunto de boas razões para recorrer a este método como forma de evitar uma gravidez (e não só). Mas será que é tudo perfeito?

Quando tomamos a pílula, as hormonas que ela liberta atuam nos ovários e fazem com que estes fiquem em repouso, logo, as ovulações deixam de acontecer. O período fértil deixa de existir e a mulher não engravida.

Aquilo em que algumas de nós não pensam sempre que ingerem este comprimido, é nas transformações que ele causa no nosso organismo. Se pensarmos bem, aquilo que estamos a fazer é contrariar o ciclo normal dos nossos ovários e o seu funcionamento natural. Tal como tudo aquilo que é manipulado, a pílula também traz consigo efeitos secundários que requerem alguma atenção e ponderação da nossa parte. Esta apresenta várias contra-indicações, absolutas ou relativas, relativamente à sua toma. No caso das absolutas, significa que não pode mesmo tomar. Caso se trate das relativas, significa que pode tomar mas devem ser consideradas outras opções.

Sabia que, caso seja uma mulher acima dos 35 anos e fume mais de 15 cigarros por dia, a pílula tem uma contra-indicação absoluta?  Isto acontece porque a pílula, combinada com o tabaco, aumenta o risco de vir a sofrer um acidente vascular cerebral. O fumo do cigarro provoca danos nas artérias do nosso cérebro e o estrogénio, presente na pílula, pode levar à formação de placas nas paredes dos vasos sanguíneos, o que faz com que o sangue coagule e possa originar um AVC, enfarte ou trombose.

Por outro lado, fatores como a obesidade também devem ser considerados. Para mulheres com um índice de massa corporal superior a 40kg /m2, a pílula apresenta uma contra-indicação absoluta. Pessoas que têm obesidade apresentam um risco maior de sofrer problemas cardíacos e, em geral, ainda são vítimas de colesterol alto e hipertensão. Mais uma vez, este histórico, associado ao uso continuado da pílula, pode resultar num problema grave, como um AVC.

Deve dar-se também especial atenção a quem sofre de doenças hepáticas, ou seja, aquelas que afetam o fígado. Isto porque, todos os medicamentos que são utilizados por via oral, são metabolizados pelo fígado. Caso a mulher apresente lesões neste órgão, como hepatite ou cirrose, o uso da pílula vai sobrecarregá-lo, fazendo com que as hormonas não sejam metabolizadas.

Apesar de ser um método eficaz, devem colocar-se em cima da mesa todas as contra-indicações que apresenta e ponderar se vale mesmo a pena ingerir, todos os meses, este pequeno comprimido “milagroso” (ou será mais “venenoso”?). Esteja atenta aos sinais que o seu corpo lhe dá, informe-se e faça aquilo que, para si, será a escolha mais correta.

 

 

3 Comentários
  1. Sempre tomei a pílula e nunca tive problemas de engordar, nem de outra coisa. Há dois anos, com 40 anos tive um avc. Depois de muitos exames para procurar uma razão para isso ter acontecido os médicos disseram q devia ter sido da mistura da pílula com o fumar. Deixo o alerta porque isso nem me tinha passado pela cabeça. Essa combinação junto com a idade pode acontecer…

  2. Reforçando o comentário anterior, tive uma embolia pulmonar com 30 anos. Procurei vários médicos, e a opinião foi unânime: pílula e tabaco. A pílula que tomava era a Belara.

  3. Realmente a responsabilidade de não engravidar recai sempre sobre a mulher, mas acho que devia haver uma mudança nesse sentido pq a responsabilidade é tanto do homem como da mulher e nós mulheres andarmo-nos a “entupir” de químicos durante anos a fio sabendo lá quais as consequências que isso nos trará no futuro da nossa saúde.

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