A Pornografia Também é Para Mulheres?

Auriculares ligados ao computador, navegação privada ativada, mil categorias à escolha. Já sabe qual é o próximo passo, certo?

Existe a ideia de que a pornografia é válida apenas enquanto faceta da expressão sexual humana e que pode não ser o flagelo sexista, destruidor de casamentos, que muitos consideram.

Ao contrário daquilo que muitos possam pensar, a pornografia não é uma temática exclusivamente pertencente ao universo masculino: existem cada vez mais pessoas do sexo feminino que procuram estes conteúdos. Porém, convenhamos que este é ainda um tema tabu entre as mulheres, tal como encontrar o prazer no próprio corpo o é também. Em conversas entre amigas ou até mesmo com o namorado ou marido, este é ainda um assunto pouco desenvolvido, que raramente se aborda de modo aprofundado. Será pelo medo do julgamento? Estaremos perante o eterno receio do “parecer mal”? Talvez falar sobre o assunto seja demasiado… “visual”?

A verdade é que tudo isto ainda constitui uma espécie de assunto proibido. Debrucemo-nos, então, sobre a questão que não quer calar: afinal, as mulheres veem ou não pornografia? Tudo indica que sim, e não necessariamente com menos frequência do que os homens. O Pornhub, por exemplo – um dos sites mais populares a nível mundial – revelou, há alguns meses, que o público feminino constituía uma quarta parte da sua audiência global. Surpreendida?

A sexualidade é ainda reprimida pela mulher (pelo menos quando o assunto é abordar todas estas questões sem sentir que está a cometer um crime), mas a verdade é que isso não a torna menos sexual do que o homem. Esse é um dos principais estigmas que encontramos quando abordamos as diferenças de género; trata-se de uma ideia errónea, que acaba por servir, talvez, para inibir ainda mais as mulheres.

O direito ao prazer é algo transversal, é algo que é devido não só ao homem, mas também à mulher. Os tempos mudaram, e é precisamente graças à mudança social que ocorreu ao longo dos últimos anos que as mulheres começaram também a viver a sua sexualidade de outro modo e a olhar para a mesma sem sentimentos de culpa, sem se sentirem menos dignas… em suma: sem se sentirem “sujas”.

Se os tempos mudaram, se o paradigma mudou e se nos encontramos a caminhar, paulatinamente, com destino à igualdade e à desconstrução de matérias que não deveriam ser motivo de vergonha ou de censura, que tal encararmos tudo o que faz parte da biologia humana com naturalidade?

Ver pornografia não é condenável – sobretudo quando se trata de tirar partido do próprio corpo e esta se materializa num veículo para chegar ao orgasmo. E porque não? O que há de errado em tudo isso? A indústria pornográfica pode ter estado associada aos homens durante anos, mas nos dias que correm é também criada a pensar na mulher. Porque o prazer dos sentidos, esse, é um direito de todos, independentemente do género, da idade ou da religião.

Não existem motivos para a culpa, porque senti-la é estar contra si. Lembre-se que ser livre também é sentir-se mulher e sê-lo por inteiro – e isso também é ser independente ao ponto de se satisfazer sozinha. Por isso – com ou sem pornografia – seja feliz.

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