Mafalda Sampaio, Uma Mulher de Conquistas aos 27 Anos

Foi em 2015 que Mafalda Sampaio – A Maria Vaidosa decidiu criar o seu canal de Youtube. Aquilo que começou por ser uma simples brincadeira, acabou por culminar numa carreira de sucesso, que conta já com centenas de milhares de seguidores.

Depois de ter criado a sua própria marca e de ter lançado a sua própria revista (no ano passado) Mafalda foi mãe pela primeira vez. Falámos com a digital influencer, a fim de compreender o que mudou na sua vida depois da maternidade. Leia, abaixo, a entrevista na íntegra.

Aos 27 anos foi mãe de Madalena. Quando é que percebeu que era o momento ideal para ter uma filha?

Um dos meus maiores sonhos era construir a minha família. Casar e ter filhos fez sempre parte dos meus planos desde que me lembro de pegar ao colo todos os meus primos pequeninos. Sempre adorei crianças e com sete anos já conseguia andar com os meus primos ao colo e brincar com eles como se fossem nenucos, literalmente.

Lembro-me de quando tinha 16 anos dizer que seria mãe aos 23. Não aconteceu, é complicado conseguir ter estabilidade e estrutura para ter um bebé nos dias de hoje. Não é por acaso que dizem que fui mãe relativamente cedo. Hoje em dia, ter um bebé antes dos 30 é raro. Ainda assim, acredito que não há uma altura certa. Quanto mais pensamos, pior! É uma mudança tão grande nas nossas vidas que acabamos sempre por adiar, pensamos sempre, “ainda quero fazer isto, isto e isto, não é a altura certa”. Quando engravidei, morava num t1+1, tinha um carro com mais de 16 anos, prestes a morrer e assim que o teste deu positivo, comecei a tratar de tudo o que estava ao meu alcance para dar melhores condições à minha filha. Mudei de casa e comprei um carro melhor. Tudo se consegue quando queremos muito ser mães.

Quando anunciou a gravidez sentiu algum tipo de ataque por parte de outras mulheres?

Não senti nenhum ataque por parte de outras mulheres, senti até muito apoio e sinto que até motivei outras pessoas a dar este passo que há tanto tempo tinham adiado.

A Mafalda é youtuber e tem também a sua própria revista. Com uma bebé de quatro meses, como gere o seu dia a dia?

Quando ela nasceu tentei desligar-me um bocado, mas nunca a 100% porque é quase impossível fazê-lo na minha profissão. Aproveitei muito os primeiros 3 meses enquanto amamentei e agora começo a voltar ao trabalho. Não é fácil gerir tudo aquilo que já faço com tudo o que quero ainda fazer. Ainda assim, acredito que é possível ser mãe e empresária. Vale muito a pena fazer este esforço, vê-la crescer feliz e saudável dá-me muita motivação.

Atualmente, estão a desmistificar-se algumas ideias acerca da gravidez e a desconstruir-se o lado cor-de-rosa que envolve o mundo maternal. O que pensa sobre isto? 

Há todo um novo mundo a partir do momento em que sentimos algo mexer-se na nossa barriga. As gravidezes são todas diferentes, eu enjoei imenso no primeiro trimestre, amei o segundo e achei que não ia aguentar mais no terceiro. Agora que já passaram quase 5 meses desde que a Madalena nasceu já nem me lembro bem da parte menos boa da gravidez e já penso no próximo bebé. Só não engravido já porque quero preparar o meu corpo primeiro, coitado! Acho óptimo que se fale sobre a parte menos positiva da maternidade e se partilhe ao máximo as experiências que as mulheres têm. Fiz um vídeo há pouco mais de um mês a falar sobre a minha experiência na amamentação e recebi logo alguns comentários críticos, assim que disse que já não estava a ser prazeroso para mim amamentar. Sinto ainda hoje que não devo dizer em voz alta que deixei de amamentar por opção, o meu papel enquanto mãe vai ser posto em causa. Quando me perguntam “A Madalena ainda mama?” Eu respondo “Não, o meu leite já não era suficiente.” E assim, o assunto morre ali. Isso é um bocadinho triste mas é a forma que tenho de me proteger.

Quando a Madalena for mãe, o que gostava que já tivesse mudado nessa altura? Espera que ela não passe por algo que a própria Mafalda tenha já passado?

Nessa altura, acima de tudo, espero que os meus pais ainda cá estejam para conhecerem os bisnetos! Quero muito que ela possa fazer as suas escolhas sem ter um grupo de mães a atacar, é importante apoiarmos outras recentes mães sem as julgarmos. Acredito que se as mães estiverem felizes vão ter bebés mais calmos e sorridentes.

Existe uma grande pressão para que depois de darem à luz, as mães apresentem já o corpo que tinham anteriormente. Sentiu na pele essa “obrigação” imposta pela sociedade?

Não senti na pele essa imposição pelas pessoas que me rodeiam. O que se passou comigo depois da Madalena nascer foi uma tristeza enorme quando me via ao espelho. Não me reconhecia. Queria muito voltar a sentir-me eu. Ia ao meu armário para vestir a minha roupa de antes e quando as calças não passavam dos joelhos, chorava. Experimentava as minhas camisas e t-shirts e o meu par de mamas enormes a jorrar leite em todas as direcções não me deixavam nada confiante para sair. Sentia-me feia, achava que ia ficar assim para sempre e que nunca mais ia vestir a minha roupa que me deixava confiante. Afetou mesmo a minha autoestima. Mas com o tempo fui deixando de experimentar roupa e só vestia roupa da gravidez, percebendo que estava tudo bem e que fazia parte. O meu corpo foi a casa do meu bebé durante 9 meses, gerei uma pessoa dentro de mim. É normal que demore a voltar ao normal. Hoje, 5 meses depois, tenho ainda mais 5kg que o meu peso normal e sinto-me bem e até mais bonita agora!

 

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