Síndrome de Burnout: Esgotamento Profissional

O estado de esgotamento emocional e físico originado, principalmente, por razões profissionais, foi apelidado de Síndrome de Burnout pelo grande psicólogo alemão Herbert Freudenberger.

O Burnout, como hoje se diz de forma mais simplista, afeta grande parte da população, com maior incidência em médicos, enfermeiros e professores. É o resultado de um stress excessivo e prolongado. Este problema começa a surgir quando nos começamos a sentir sobrecarregadas, incapazes de chegar a todo o lado e emocionalmente esgotadas. Os primeiros sinais estão ligados, por exemplo, à perda de interesse e da motivação que existia ao exercermos um determinado papel profissional.

Daí até se começar a reduzir a produtividade e a ficar sem energia muito mais rapidamente (sentir cansaço mesmo ao acordar) é um pulo. Esse estado inicia a chamada bola de neve: começa a sentir-se mais desespero, desamparo, ressentimento e um vazio que leva a questionar, inclusive, o que é que temos para dar. O desânimo, a tristeza e a desesperança são profundos.

E, obviamente, todas as outras áreas da nossa vida ficam afetadas. A área emocional e social são duas delas. Mas não só. A sua imunidade fica mais fraca e a tendência para estados gripais e/ou infeciosos aumenta.

Portanto, é urgente prevenir ou tratar, de imediato, o Burnout. Ainda que, como sempre, estas nossas dicas não substituam, de todo, a ajuda de um profissional, estas são diretrizes a ter muito em conta, pelo menos a nível de prevenção deste problema tão debilitante. Das primeiras coisas a saber é a diferença entre o cansaço, o stress e o Burnout propriamente dito. Ora veja:

Stress:

Produz empenho a mais;

Emoções reativas;

Urgência e hiperatividade;

Perda de energia;

Ansiedade;

Dano primário: físico;

Causa doenças prematuras.

Burnout:

Produz empenho a menos;

Emoções entorpecidas;

Desamparo e desesperança;

Perda de motivação, ideais e esperança;

Desinteresse e depressão;

Dano primário: emocional;

Causa tendência para suicídio.

Como tal, e porque é, de facto, urgente: vamos às dicas e comece já hoje a pô-las em prática.

No trabalho:

* “Um dia de cada vez”. Devemos levar este lema a sério. O que é mesmo indispensável fazer hoje? Foque-se nisso e deixe o resto para amanhã. Proibido, também, agendar demasiadas coisas para um só dia. Sabe que depois não consegue fazer o que queria e a frustração leva à depressão.

* Dividir tarefas! Pare de achar que só você é que faz bem as coisas. Divida afazeres e tarefas que, ainda que o outro faça diferente de si (ou mais lentamente), até fica bem feito. O perfeccionismo só a leva à exaustão.

* Na hora de almoço vá à rua. A diferença entre ficar um dia inteiro fechada no local de trabalho e não ir à rua, nem que seja só por meia hora, é enorme! O cérebro precisa oxigenar para que todo o organismo se restabeleça e possa, então, voltar a raciocinar devidamente.

* Deixe-se de multitarefas. A nossa mente não processa duas coisas ao mesmo tempo. Parece que está tudo a acontecer simultaneamente porque é muito rápido (milésimos de segundo) mas não é verdade. O cérebro trabalha em série, fazendo uma coisa de cada vez. Logo, quando estamos a atender o telefone e a escrever um e-mail ao mesmo tempo, a nossa atenção vai da escrita para o telefone, e vice-versa, e o desgaste de energia cerebral é muito grande. Isso despoleta a resposta ao stress sem que seja necessário.

* Deixe de tentar mudar os maus colegas ou de esperar que eles mudem de um dia para o outro. Se há coisa no mundo que não conseguimos mudar são as outras pessoas. A única pessoa que você consegue mudar é você! E, mesmo assim, não é fácil. Por isso, é tempo de baixar as expetativas e de achar que os colegas, “amanhã”, estarão mais simpáticos ou deixarão de fazer intrigas. A mudança está em si. Se puder afaste-se, conviva o menos possível com quem lhe faz menos bem e trate com essas pessoas apenas o que for indispensável. Se não se puder afastar, use a sua perspicácia e lide com esses colegas (ou chefe) como sabe que vai correr melhor. Lembre-se que, lá fora, tem alguém que a ama verdadeiramente, seja o pai, a mãe, a amiga, o irmão, etc., e que geralmente quem não está bem consigo mesmo também não está bem com os outros.

* Faça pausas ao longo do dia para ir comendo e respirando lentamente. Tanto os alimentos como o ar são a nossa principal fonte de energia! Se comer à pressa, sob tensão, não fará uma correta digestão e tanto o estômago como os intestinos se ressentirão. Com o estômago e intestinos ressentidos, após um dia de trabalho não recuperará nem metade da energia que perdeu. A prática de respirações deve ser implementada também, pois a respiração tem um papel fundamental no equilíbrio do nosso sistema nervoso. Durante o dia, faça três inspirações e respetivas expirações, o mais devagar possível.

* Pare de se oferecer. Mesmo que adore fazer e ajudar não abuse em se oferecer para resolver constantemente determinadas situações. Seja mais comedida. Não pode levar sempre trabalho para casa. Precisa do tempo em casa para si e para os seus.

* Pondere mudar de trabalho. Não é fácil, claro, mas também nem sempre é impossível e muitas vezes aparecem-nos oportunidades fantásticas. Arrisque e envie currículos. Nunca se sabe.

Fora do trabalho:

* Distribua tarefas. À semelhança do citado em cima, é importante que também em casa peça mais ajuda. Não queira fazer tudo e dar conta de todos os recados.

* Perdoe-se mais. Tenha mais calma consigo. A perfeição não existe. São momentos. Procure exercícios sobre autocompaixão. Experimente.

* Faça exercício físico. Faça, pelo menos, uma caminhada diária ao ar livre de dez minutos (parte mental) e suba três «vãos» de escadas (parte física, cardiovascular). Isto é importantíssimo. Porque não só oxigena o cérebro como vai estimular a produção de hormonas ligadas ao bem-estar, fortalecer o seu coração, aumentar a imunidade e eliminar algumas calorias.

* Trabalhe as emoções. Aceite que tem emoções e não as despreze. Veja exercícios para as trabalhar e experimente. As emoções são energia. Não as recalque demais pois criam danos no organismo.

* Não opte pela solidão. Procure sociabilizar. Isso também ajudará bastante, desde que com as pessoas certas.

* Arranje um part time. Aventure-se a descobrir o que lhe poderá dar algum prazer fora do trabalho. Nem que seja a fazer um dos muitos cursos grátis online.

* Pratique yoga, meditação, mindfulness, reiki ou qualquer outra prática que fomente a calma, a tranquilidade, a gratidão, a aceitação, etc.

Não descure a sua saúde. É o maior bem que temos. Se reconhece em si muitos dos sintomas enumerados neste artigo, não espere mais tempo e procure um profissional competente para o efeito. Estamos consigo. Força, vai correr tudo bem.

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