A Arte de Manter Uma Relação Amorosa

É tão bom quando um relacionamento funciona! É o milagre que acorda a alma, é quando “quarta-feira parece domingo” e conseguimos fazer coisas que nunca imaginávamos conseguir fazer. É quando o olhar tem mais brilho e nem a gripe mais forte nos leva à cama.

Mas, quando não funciona, e nós não queríamos, quando há um desfecho triste e inesperado, é uma “bomba nuclear” que rebenta dentro de nós, nos arrasa, nos adoece e nos deixa com a vida parada como se ficássemos temporariamente a viver numa noite onde o dia não mais vai raiar.

Um relacionamento amoroso que “funcione” é muito importante, é primordial para a nossa saúde emocional e, obviamente, geral. Por isso, vale a pena tentar, tentar sempre com o maior carinho possível, seguir dicas, conselhos e “bom senso” para lutar contra um qualquer fim descabido.

Contudo, a base tem de lá estar. Os dois têm, mesmo, de gostar um do outro, de terem a certeza que se amam, ainda que a forma de energia de amar de um seja ligeiramente diferente da forma de energia de amar do outro. Havendo isso, tudo se torna mais fácil, dentro do difícil, que é manter um bom relacionamento com a pessoa amada.

É uma arte, sim! Porque requer paciência, perseverança, amor, carinho e tolerância, para não falar das cedências (sem serem exageradas) que ambos temos, de vez em quando, de fazer um pelo outro. Requer que consigamos olhar para dentro de nós e fazer uma aceitação daquilo que também não estamos a fazer (ou ser) da forma mais correta possível.

Como tal, aqui seguem algumas dicas, para relembrar o que deve fazer com quem tem ao lado na sua vida:

1. Lembrar-se porque se apaixonou por essa pessoa – Faça uma pequena viagem ao passado e tente lembrar-se daquilo que mais a/o encantou. Volte ao presente e observe se tem ajudado o seu par a manter essas “qualidades” que tanto apreciou. Ou se, sem querer, começou a tentar mudar algo, para que a pessoa se moldasse mais a si? Por exemplo: era uma pessoa que ria muito e você adorava isso. Mas, “isso” também chama a atenção de outras pessoas e você agora quer que ele/ela passe mais despercebido. Analise, sem constrangimento. Não precisa dizer isso a ninguém, mas é necessário que, tendo essa perceção, modere a sua atitude. (Ele/ela, já se queixou sobre algo do género? Considere. Não ignore a queixa. O que para si não é importante pode sê-lo para a outra pessoa).

2. Tente recordar-se do percurso de vida, em conjunto, que já fizeram até agora – Que bons e “maus” momentos, na “construção” da vossa vida (casa, emprego, filhos, etc.) passaram juntos? Não avalie agora quem fez “mais” ou “menos”. Vai haver sempre um dos lados que, por natureza, vai ser sempre mais proactivo e otimista. Tente ficar-se, apenas, por uma análise de companheirismo. Houve muito desgaste emocional e físico por causa da “luta” da vida no dia-a-dia? Um eventual cansaço também pode vir daí e nada ter a ver com a “diminuição” do vosso amor. Tenha isso em consideração e não seja tão exigente nem com a pessoa nem consigo próprio.

3. Lembre-se dos momentos em que se apoiaram mutuamente, cada um à sua maneira – Ainda que um possa ser mais de ajudar materialmente ou fisicamente e o outro seja mais de ajudar com palavras de otimismo e “força moral”, não faz mal. Pelo contrário. Vocês estão juntos, precisamente, para se completarem. Não para competir! Se puder lembre a pessoa amada de algum desses momentos e agradeça o facto de ela – ainda que tenha sido “pouco” – ter feito ou dito algo que ajudou um bocadinho (ou muito) no desenrolar ou na solução de um determinado problema da vossa vida. Elogie e agradeça sempre que possa!

4. Ponha na “balança” o que gosta muito na pessoa e o que não gosta nada – Vamos partir do princípio que, como ama essa pessoa, vai tolerar um pouco a parte do que “não gosta nada”. Porém, já falou com a pessoa sobre isso? Sem julgar, criticar ou com ironia? Falou de forma calma, simpática e como observador? Há hipótese de ela mudar um pouco? Se não houver, há forma de você tolerar aquilo que essa pessoa nunca lhe vai dar? Pois! É que, no amor, há que conseguir perceber que existem coisas que nunca vão mudar na outra pessoa. Aceita? Pense de que forma poderá ultrapassar essa questão. Você também tem, decerto, aspetos muito próprios que nunca vão mudar.

5. Acha que estão a “evoluir” ou a “caminhar” em caminhos diferentes da vida? – Sente que estão a desejar coisas, sejam elas físicas, materiais, “culturais” ou emocionais completamente diferentes um do outro? Dialogue sobre isso e tente ver se, apesar de não se notar muito, existe algum “lugar-comum” onde se encontram, onde podem partilhar entre os dois essas temáticas ou desejos. Isto, porque, há sempre um ”lugar-comum”: como, por exemplo, sentarem-se a almoçar ou a lanchar enquanto falam sobre essas vossas “coisas”. Um momento em que um ouve o outro e vice-versa. Mas com escuta ativa, com atenção e carinho.

6. Há algum aspeto da vossa relação que esteja completamente diferente daquilo que era? – Converse sobre isso, mas sem julgar ou criticar, sem se focar “em quem tem razão” ou em “quem mais teve a culpa”, porque isso não leva a lado nenhum! O que interessa é pôr o foco na responsabilização, naquilo que se pode fazer ao dia de hoje para melhorar esse aspeto. Por exemplo: «Talvez possa eu esforçar-me, também, para que consigamos voltar a ter os momentos amorosos que tínhamos…». Não entre naquele jogo de culpar a outra pessoa por tudo.

7. Controle os ciúmes – Este aspeto tem destruído milhares de relacionamentos. E não falo só dos ciúmes por medo de perder a pessoa para outra mas também dos ciúmes ligados ao sucesso que o outro possa ter, tanto a nível profissional como pessoal. Tente aceitar o sucesso da outra pessoa e confie. Não perderá o ente amado só porque ele tem muito sucesso. (Ainda que, num caso de sucesso muito grande, a outra pessoa se possa perder no brilho do ego, não desista dela e, com calma, traga-a de volta à “realidade”. Com amor e paciência, se houver amor verdadeiro, ela virá)

8. Confie e dê “espaço” à pessoa amada – O apego exagerado é terrível, sufoca e afasta! Como tal, não vale a pena. Acredite. Quanto mais “encurrala” a pessoa mais ela tem vontade de voar. Como tal, dê-lhe algum espaço. Modere os telefonemas e sms, por dia, e não “implique” se a pessoa em vez de “ver dois filmes” consigo só consegue ver “um”. Deixe-a “respirar” para ela poder querer ficar ao pé de si.

9. Controle o egoísmo. Não ignore as necessidades da pessoa amada – Não é fácil, às vezes, darmos por isso, mas acontece muito que um dos elementos do casal ponha as suas necessidades em primeiro lugar, antes das do outro. Isso, à semelhança dos ciúmes, também tem sido razão para terminar relações. O egoísmo é terrível! E, acontece muito quando um dos elementos do casal não se expressa ou pouco “se queixa”. Logo, o outro “passa” por cima com facilidade. Reflita naquilo que já percebeu que são as necessidades do seu amor e veja se também lhe vai dando prioridade.

10. Dedique mais tempo à pessoa amada – Quando falamos, anteriormente, de “dar espaço” referimo-nos a um “espaço q.b.”. Há quem exagere no contrário e deixe a outra pessoa a sentir-se muito só. Com o passar do tempo, os hábitos vão-se implantando e parece que aquela pessoa já é o chamado “dado adquirido”. Então, quando se dá conta estamos a dar o nosso tempo ao trabalho, ao “part-time” ou a outra coisa qualquer menos à nossa “cara-metade”. Faça uma reflexão e, se assim for, ou se já “ouviu queixas” sobre isso, tente reajustar o seu tempo. Vai ver que consegue e irá ser muito bom inclusive para si. Algumas “desculpas” de algumas “traições” baseiam-se neste aspeto. Ainda que isso não faça parte das desculpas “aceitáveis” para que se “cometa” uma traição amorosa, há que perceber que a solidão que o outro sentiu também não ajudou a que o mesmo se “contivesse” ao fazer o que não devia.

De resto, ame e permita-se a receber amor, a ser amada/o, nunca se esquecendo de se amar a si primeiro. E, confie. Quem tiver de ficar consigo ficará. O universo funciona maravilhosamente bem. Força! Estamos consigo.

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