Cláudia Villax, A Mulher dos 7 Ofícios Que nos Inspira

Inspiração… Provavelmente, esta é a palavra que melhor caracteriza Cláudia Villax. Já lançou livros, tem uma quinta e criou um azeite totalmente biológico. Porém, Villax inspira-nos ainda mais enquanto mulher que abraça a feminilidade com naturalidade e que encara a mudança de um modo positivo: mesmo quando o assunto é a menopausa.
Leia a entrevista exclusiva da escritora para a Frederica.

Muitas mulheres têm medo da chegada desta nova fase da vida (menopausa), encarando-a como um verdadeiro bicho de sete cabeças. O que pensa acerca disto?

Uma das coisas das quais dei conta no meu percurso pela vida e pelo universo feminino é que, infelizmente, nós, as mulheres, temos ainda muitos tabus e partilhamos pouco. Há certos temas de que não falamos ou de que quando falamos é sempre pela positiva e nunca assumimos os medos, inseguranças ou receios.

Em relação à menopausa, este não é um assunto habitual e quando se fala entre amigas o mais normal é ouvir a resposta: “estou óptima, não sinto nada, não tenho sintomas, isto é normal”. Acho que tem a ver com querer prolongar uma fase da qual se acabou de sair, pois quer se queira, quer não, a menopausa mexe com duas coisas muito importantes para uma mulher: o saber que está a envelhecer e a sua própria feminilidade, já que esta significa o fim do ciclo reprodutivo.

Como infelizmente vivemos numa sociedade em que parece que é impossível envelhecer, esta pode ser uma etapa muito complicada para as mulheres. No meu caso, encaro-a como mais uma etapa da vida. Faz parte e é normal, e é algo que acredito que temos de estar preparadas a partir dos quarenta e cinquenta. É por isso que é importante existir partilha de informação entre as mulheres e era bom também que as mães preparassem as filhas. O curioso é que mesmo entre mãe e filha há coisas que se falam ao de leve. Saber estar preparada é fundamental, pois quando sabemos o que pode acontecer conseguimos lidar muito bem com os problemas e tudo acaba por ter uma solução. Para além de estarmos informadas, sentirmo-nos bem connosco próprias, aceitarmo-nos como somos e estarmos felizes com as nossas vitórias e derrotas é fundamental para conseguirmos relativizar. Se há uma percentagem de mulheres que passa por esta fase tranquilamente, outras há que sofrem muito e é preciso respeitar isso.

Enquanto mulher, sente que os sintomas da menopausa mudaram alguma coisa na sua relação consigo mesma? Trouxe alguma insegurança ou auto-cobrança?

Sim, mudou e para melhor. Ou seja, teve um impacto muito positivo, depois de me informar e de alguma introspecção. Fez-me a descobrir a mulher que realmente quero ser e como quero viver. Foi como se um “pano tivesse caído” e o meu verdadeiro eu viesse ao de cima.

De que modo a menopausa teve impacto no seu quotidiano?

o meu caso acabou por ter um efeito muito positivo. Os sintomas que tive não foram os normais, e sentia que não estava a cem por cento. Como fui sempre hiperativa e muito rápida na forma de encontrar novas ideias (não fosse eu criativa) não estava a compreender o que tinha… Era como se estivesse constantemente em modo deslow motion. Para além de sentir uma “névoa em frente dos olhos”, não conseguia pensar da mesma forma, as ideias vinham a conta gotas e a juntar a isto sentia um cansaço enorme derivado das insónias terríveis. Pensava que estava doente e nem me passava pela cabeça o que me estava a acontecer.

Mais uma vez, realço a importância de se estar informada. Ao perceber a fase em que estava a entrar, mergulhei a fundo na pesquisa sobre o tema e estudei sobre qual ia ser a minha abordagem. Tinha claro o que queria e não queria fazer. Como sou adepta de um estilo de vida completamente natural queria que este fosse o caminho, e não o dos métodos simplistas da terapêutica hormonal ou de químicos para tratar os sintomas que tinha. Acabei por me tornar ainda mais natural e mudei mais os meus hábitos. A primeira coisa que fiz foi assumir os meus cabelos brancos, já que sou daquelas que começou a ter cabelos brancos aos 30 anos. Confesso não achei graça nenhuma na altura, mas agora fiz as pazes com eles e disse-lhes que “eram bem vindos”.

Voltei a praticar ginástica cardio. Há alguns anos que só  fazia Yoga e Pilates, e comecei a tomar suplementos naturais para lidar com a perda de colagénio, cabelos fracos e insónias. Também passei a beber mais água e a optar por uma alimentação mais rica em cálcio, já que a osteoporose pode aparecer com a perda do estrogénio. Comecei também a reservar mais tempo para fazer pequenas coisas que me fazem feliz, como por exemplo ler livros, estar no meio da minha horta, passar tempo com as amigas… Como resultado sinto-me mais positiva, calma, parece que o tempo rende mais, o stress foi-se, durmo lindamente e sinto-me mesmo bem. Conclusão: estou feliz, mais feliz até!

Na sua opinião, existe algo que falte esclarecer na temática da menopausa? Algum falso conceito criado em torno deste assunto?

Acredito que há que desmistificar, fazer entender que é um processo natural e encará-lo de forma normal. Temos de passar a mensagem de que existem sintomas, de que há mulheres que sofrem imenso e que é importante respeitar! Apesar dos afrontamentos e dos suores noturnos serem os sintomas mais conhecidos, existem outros que são mais graves e que por vezes não se lhe dá importância (como a depressão, as mudanças de humor constantes, a perda de densidade óssea, a irritabilidade, as dores de cabeça, a perda ou aumento de peso, a perda de cabelo, entre outros).

É importante conversar com o médico ginecologista, falar com amigas, com o marido ou namorado, pois eles também precisam de saber o que se passa connosco para serem um apoio e não mais uma fonte de stress. Todos sabemos que esta situação existe, mas achamos que é melhor não pensar nisto como um problema, e é visto quase como “uma mania de mulher”. Não é nenhuma mania, é verdadeiro e existe. Portanto, há que saber lidar com isso.

 

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