A Questão da Obesidade: Aceitação ou Incentivo?

Hoje, Dia Mundial da Obesidade, interessa refletirmos acerca da relevância atribuída a esta doença e acerca da importância e necessidade de a prevenir e combater.

De acordo com o Serviço Nacional de Saúde, o excesso de peso é um dos principais problemas de Saúde Pública em Portugal, afetando cerca de 50% da nossa população adulta e espoletando outros problemas patológicos sérios, como a diabetes e as doenças cérebro-cardiovasculares.

Nesta conjuntura, são notórios alguns avanços – nos meios de comunicação e em algumas conceituadas marcas de beleza – na tentativa de abraçar a diversidade de fisionomias, deixando para trás idealizações de modelos padrão, e enveredando por um registo de “pessoas reais”: gordas, magras, com estrias ou até mesmo com celulite. Uma busca pela realidade e uma rejeição da perfeição, portanto.

A problemática (e a controvérsia) centra-se no facto de, neste caminho com destino à aceitação, se inserir a obesidade, encarando-a de um modo que, por muitos, é entendido como sendo uma espécie de promoção e de incentivo ao excesso de peso. A Cosmopolitan do Reino Unido é um excelente exemplo disso: a revista decidiu incluir na sua capa deste mês uma modelo plus size – Tess Holliday, de 33 anos.

Depois de ter sido revelada esta escolha que renega preconceitos, a polémica e a discussão acabaram por se instalar: houve quem encarasse a situação como um apoio à diferença e ao respeito pelo outro, independentemente da sua imagem; e houve também quem rejeitasse a legitimidade para incluir numa capa de revista de moda alguém que sofre de obesidade, não olhando com bons olhos para aquilo que acabam por considerar um incentivo, estabelecendo um precedente arriscado, como que “glamourizando” um problema de saúde sério, que pode levar à morte.

As opiniões dividem-se, e toda esta questão pode ser observada e analisada sob diferentes pontos de vista, apesar de ser realmente inegável o facto de a indústria da moda estar a alterar os seus padrões.

Opiniões e debates à parte, concentremo-nos numa certeza: a obesidade é, efetivamente, uma doença. Nunca é demais insistir na implementação de hábitos alimentares saudáveis e na prática de exercício físico para combater o excesso de peso, que afeta em larga escala a nossa população.

3 Comments
  1. Vivemos numa época em que tudo é motivo de discórdia. Não dá para simplesmente olhar para a foto e dizer: fonix, tomara eu mostrar tanta segurança como ela e gostar de ser um 38 como ela gosta de ser um número bem maior? Não consigo encontrar alguma ligação com a promoção da obesidade (nesta capa). Vejo aceitação e amor próprio. Sim, a obesidade é um problema gravíssimo, assim como todos os outros distúrbios alimentares. Mas vamos mudar por amor a nós e à nossa saude e não apenas porque é padrão da sociedade ser magra. Ainda bem que há corpos de Vanessa Martins e Carolina Patrícinio…mas ainda bem que há corpos e mulheres como a Tess para de vez em quando nos darem um murro.

  2. Acho que no final do dia é importante cada um gostar de si e acima de tudo aceitar-se e aceitar o outro. A opinião sobre Tess (dentro ou fora da capa de revista) varia consoante a nossa experiência pessoal de vida relativamente a “peso”, “tamanho”, “imagem” e outras questões relacionadas com saúde e auto-estima (pelo menos) por isso, está a priori influenciada por nós próprios e a nossa percepção do que é ou não aceitável. O que a capa representa ou transmite vai variar vezes o número de milhares de milhões de mulheres que virem a capa e, no final do dia, Tess é a beneficiária de ser o exemplo que quisessem que fosse. Na minha opinião é importante promover o amor-próprio e a auto-estima e o respeito por nós. Quando não nos sentimos bem, procuramos mudar e ser a melhor versão de nós próprios mesmo que outros não concordem com tais versões ou mudanças. É importante saber o que é saúde e equilíbrio primeiro do que conhecer os padrões que supostamente representam isso. Corpos como o da Tess são uma opção de vida, que está a ser utilizada como empoderamento e aceitação (talvez e entre outros). Corpos como o da Vanessa M. também encorajam as boas práticas de alimentação e exercício, também são uma opção que é utilizada como empoderamento. No final do dia, procurem aceitar-se a si mesmas. Inspiração ou motivação são coisas distintas de exemplos e não deverão ser utilizadas como desculpas para sermos ou nos mantermos plus-size ou medium ou small. Let’s just try to be our-size.

  3. Obesidade é um problema de saúde pública!
    Todos sabemos, e tal como referido a cima, podem estar associados à obesidade várias doenças: hipertensão, colesterol, diabetes, doenças coronárias e até mesmo articulares! Sim, articulares! Uma pessoa obesa vive com dor devido à sobrecarga articular e inflamação geral provocada pela gordura corporal!
    Não, não podemos aceitar obesidade. Sim, temos de aceitar que obesidade é uma doença. Sim, temos de gostar de nós e isso passa por cuidarmos de nós…não nos deixarmos adoecer!
    Atenção, sou contra a discriminação e preconceito criado à volta dos obesos ou com excesso de peso . Sou contra todos os métodos muito pouco saudáveis para atingir a “magreza” e dita “perfeição”.
    Defendo que todos devem procurar se manterem saudáveis com orientação de profissionais preparados para tal, além de bom senso e inteligência.

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