Bissexualidade: Fantasia Sexual ou Orientação Real?

Na conjuntura atual, se há assunto que ainda é alvo de controvérsia e de discórdia, é a bissexualidade. Quando os cientistas resolveram descrever, pela primeira vez, este termo, muitos foram os investigadores que se opuseram, defendendo que este não existia – na sua ótica, o mundo estaria dividido apenas entre hétero e homossexualidade – sendo que, não raras vezes, categorizaram a bissexualidade como sendo uma espécie de camuflagem para a “verdadeira” orientação sexual de determinado indivíduo.

No entanto, uma pesquisa mencionada na revista americana Psychology Today revela que a bissexualidade realmente existe enquanto orientação vitalícia, deixando para trás a ideia de que poderia ser somente uma fase passageira ou uma fantasia momentânea. Esta, enquanto identidade sexual, não é, portanto, uma “mentira”, de acordo com a conclusão a que chegam muitos estudos.

Enquanto identidade completa, a bissexualidade causa ainda confusão em muitas mentes. Vivemos numa sociedade que pode ser considerada heteronormativa, onde os estigmas e os preconceitos são algo ainda não vencido. Muitas vezes, esse preconceito vem não só da sociedade, mas também da própria comunidade que integra os bissexuais, tal como afirmou um dos ativistas do American Institute of Bisexuality, em entrevista para o The New York Times, afirmando que estes ainda seriam incompreendidos pelos homossexuais.

O facto de existir a ideia estereotipada de que os bissexuais estão a mentir – a si próprios e ao mundo – faz com que muitos deles acabem por mergulhar no medo daquilo que os outros irão pensar, evitando abrir-se sobre o assunto e não revelando o seu histórico. Ora, consequentemente, a saúde desta comunidade (ainda pouco visível) negligencia-se, diz-nos uma pesquisa do Bisexual Resource Center. Esse mesmo estudo ressalta que os bissexuais acabam por ter uma maior tendência para enfrentar distúrbios, como a depressão, quando comparados a indivíduos de outras orientações.

Debates e contestações à parte, a verdade é que a bissexualidade acaba por ser tão válida quanto qualquer outra orientação e a única pessoa que pode defini-la (e a quem essa determinação diz respeito) é ela própria. A orientação sexual não tem como base somente o sexo, por si, e ainda há muito que batalhar por parte de quem vive tudo isto na pele. Independentemente de todas as definições, rótulos e marginalizações, há que constatar que importa sim aquilo que todos procuramos ao longo da nossa vida: amor e conexão com o outro.

 

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